DESCRUCIFICADOS

supernietzsche    “O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de “Deus sobre a cruz”. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela?” Essa é a frase que John Stott começa o terceiro capítulo do livro: “Por que sou cristão”. Leitura interessantíssima. Nada novo. Velha, batida e retorcida mensagem: a cruz.
Há algum tempo tenho perguntado a algumas pessoas porque elas são cristãs. É cada resposta, cada pérola, cada “teologia”, gerando-me alguns sentimentos curiosos: medo, indignação, risada, tristeza. No seminário perguntei à alguns colegas, e, foi onde deu vontade de chorar: de dez alunos apenas dois incluíram a cruz em suas respostas, e olha que nenhum dos outros motivos fundamentais pelos quais deveriam ser cristãos o grupo dos oito colegas responderam corretamente.
Queria saber de um cristão “descrucificado”: se a cruz não cabe em sua conversão e cristianismo, onde ela fica além do temporal e geograficamente distante gólgota? Onde está a cruz além de pregada em paredes, moldada em pingentes, estampada em camisetas, representada em símbolos místicos, exposta em relicários religiosos e souvenirs gospels de campanhas de prosperidade?
Lutaram milênios para destruir e aniquilar a Bíblia, não conseguiram. No último século inverteram o jogo, de um lado, o ateísmo militante – que se ramifica em várias vertentes, desacredita e ridiculariza as Escrituras, de outro, os evangélicos que dizem nela crer, mas são muito mais ignorantes de seu conteúdo e sua mensagem principal que as próprias pessoas que dela descreem. Conhecendo os dois grupos, afirmo, sem termos de comparação, os evangélicos estão mais firmes em seu propósito anticristo que qualquer outro grupo. No final das contas, ateísmo “religioso” e a massa evangélica “atéia” vestem a mesma camisa. Isso é espantoso!
Charles Spurgeon disse: “o mais maligno servo de satanás que conheço é o ministro infiel do evangelho”. A teologia descrucificada cria super-homens tolos e não seres humanos cientes de quem são. Teologia da cruz seria pleonasmo, afinal, toda teologia bíblica gira em torno da pessoa de Jesus e este crucificado, contudo, diante de como as “teologias” têm desfigurado o evangelho no Brasil, surge a extrema necessidade que voltemos as Escrituras e, uma vez, retornando, cavar cavar e cavar as Santas Letras com uma pá e picareta nas mãos e uma cruz fincada no peito, para finalmente pregar a Cristo crucificado, escândalo e loucura para os poderosos, sábios e religiosos desse astro chamado Terra.

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

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