ESPIRITUALIDADE CRISTOCÊNTRICA

Christ-Carrying-The-Cross-1564                            Pieter the Elder Bruegel: Christ Carrying the Cross 1564

A alguns dias, vindo de Goiânia sentido ao interior de Goiás, onde moro, conversava com um amigo sobre a dificuldade que os cristãos enfrentam quando a centralidade de Cristo na espiritualidade atual. Apesar de não ser cristão, meu amigo frequenta reuniões evangélicas a mais de 50 anos, mas nunca entendeu o evangelho puro e simples conforme a Bíblia o apresenta. Dizia-me que agora, “finalmente” encontrou um lugar, uma religião em que se fala de caridade, amor ao próximo, família, atualidades e temas “relevantes”, e melhor, não fica falando das “bobagens” da Bíblia e que Jesus morreu para nos salvar. Tentava me convencer que minha pregação é ultrapassada demais, radical demais, bíblica demais, que eu devia ter como referencia certo pastor televisivo que tirou o bigode que ensina sobre “família e temas atuais”. Por outro lado, tentei lhe mostrar como tirar Jesus do centro da Bíblia é uma desonestidade espiritual e intelectual com as Escrituras, pois, esta tem uma harmonia, uma linha racional clara, um contexto imediato e geral, onde o foco principal do livro sagrado do cristianismo é a pessoa de Cristo, e este crucificado. Sair desse foco é constituir-se falso profeta, falso pastor, falso pregador. Dizia-lhe que a questão não é a pessoa falar de família, passos para vitória, como conquistar bênçãos financeiras e espirituais, para isso, basta o “pastor” se tornar um palestrante motivacional, militante político, professor, membro de ONG, do Lions, Rotary, etc. Tudo isso é legítimo, e muitas dessas atividades contribuem com a sociedade, mas, jamais essa pessoa poderia abrir a Bíblia, ler um texto e, dizer que está ensinando o cristianismo em nome do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

Isso me fez lembrar de duas frases, uma de Martinho Lutero, outra de Billy Graham, respectivamente: A Bíblia não é nem passada, nem moderna; a Bíblia é eterna”; e, “a Bíblia é mais atual do que o jornal que irá circular amanhã”. Paulo alertou a Timóteo o que aconteceria nos últimos tempos:

Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos, pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder (…) sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade. (1Tm 2.1-5, 7)

Estamos falando de uma dificuldade atual, mas historicamente, esse quadro vem se desenhando ao longo dos séculos, não irei buscar tais referencias para não sair da clareza e objetividade pedida para o texto. Apenas lembrar dois pontos mais recentes:

  1. Revolução Industrial – a efervescência econômica e industrial do séc. XVIII influenciou a cultura ocidental e aos poucos as mentes das pessoas foram sendo moldadas em função do materialismo, indistintamente de classe social. Apenas para citar um exemplo, outro dia, um professor e coordenador de um curso que faço, disse que as pessoas devem escolher suas profissões de acordo que aquilo que mais vai lhes render dividendos, e olha que é uma professor universitário.
  1. Neopentecostalismo – a partir da segunda metade do séc. XX, movimentos religiosos, especialmente evangélicos, começam ganhar notoriedade ensinando que, se a pessoa é filha de Deus, logo, deve fazer por merecer e requerer o melhor de Deus para essa vida, entenda “melhor” como acúmulos e ostentação de riquezas materiais. Tal movimento, no início – como disse o filósofo Sérgio Portella, partia da máxima “somos bons porque somos poucos”, agora mudou para “somos bons porque somos muitos”.

Ano passado fiz 15 anos de caminhada cristã. Os primeiros 10 anos foram tentando aprender o que a Bíblia diz sobre Jesus com pastores perversos que estavam mais preocupados com seu bem estar, conquistas materiais, crescimento numérico e financeiro de sua igreja, alguns até bem intencionados, mas ignorantes. Sou um sobrevivente de uma guerra religiosa e covarde que mata espiritualmente milhões de pessoas no Brasil. O cristianismo tupiniquim majoritariamente está sem Cristo. A cruz virou artigo de moda, acessório de espiritualidade mórbida, relicário de ídolos vazios. Há uma expressão em latim, dita por Erasmo de Rotterdam representando o Renascimento, e dita igualmente por Reformadores como Lutero: ad fontes, que significa: “às fontes”. Veja o início do Salmo 42: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!” Correntes das águas na Vulgata Latina é ad fontes, ou seja, o salmista suspira é pela FONTE que dá acesso a Deus. Se um cristão suspira pelo Eterno, igualmente suspira pela maravilhosa e assombrosa Palavra de Deus. O que sair dessa relação não passa de emocionalismo pedante, piegas, tosco e raso.

E qual é o centro das escrituras? Qual é a maior revelação do amor de Deus? Deixemos Alan Brizotti em seu livro Identidade Cristã citando outros autores dizer:

“A cruz é o símbolo da fé cristã, da igreja cristã, da revelação de Deus em Jesus Cristo. Aquele que compreende corretamente a cruz compreende a Bíblia e compreende a Jesus”. (p. 160)

E Brizotti continua fazendo referência a outro escritor:

“Na teologia histórica cristã a morte de Cristo é o ponto central da história. Para lá todas as estradas do passado convergem; e de lá saem todas as estradas do futuro”. (p. 160)

 Não sem razão Jesus disse: “se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.” Numa época onde o ateísmo militante é uma das ‘religiões’ que mais cresce no Brasil. Num tempo onde o humanismo, materialismo, teologia da prosperidade, autoajuda religiosa, liberalismo teológico, pós-modernismo e pós-cristianismo imperam e atacam o cristianismo ortodoxo por todos os lados, voltarmo-nos para a espiritualidade Cristocêntrica e fazer voz com os poucos que ainda guardam a palavra do testemunho de Deus é vital para cumprirmos nossa missão de pregar o EVANGELHO DE CRISTO a todas as nações.

© Lucianno Di Mendonça
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[Texto que compõe as provas para o aproveitamento de créditos para o curso de Teologia na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina]

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MAIS AMOR COM AS COBRAS

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Que em 2014 você tenha mais amor ao lidar com as cobras. Saiba, elas não são ruins como imaginamos. Você não é tão bom como imagina ser. Tenha mais sorrisos por coisas simples e boas lágrimas pelo que realmente importa. Ficarei com saudades da Popeta (cobrinha da foto). Que no próximo ano, Popeta e meus amigos tenham boa caminhada pelos vales profundos, noites em claro e dias escuros da alma. Sobretudo, momentos inesquecíveis ao lado de pessoas insubstituíveis.

© Lucianno Di Mendonça
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Publicado originalmente no facebook em 31/12/2013

SÓ NÃO SE SABE FÉ EM QUE

245-Os Paralamas Do Sucesso - Selvagem 1986

Os Paralamas do Sucesso em Alagados dizem:

A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê

Quanto mais vejo fé nos religiosos, especialmente os declaradamente cristãos, mais gostaria de saber, fé em quê? Que arte desalmada e sem graça é essa de viver da fé que não se sabe fé em que? Só de alguém dizer que tem “muita fé” já é um claríssimo indicativo que essa pessoa não tem a mínima noção do que está dizendo.

Acha que estou exagerando? Faça algumas perguntas básicas, como por exemplo: no que você crê? Porque? Como? O que é fé? Como pode ter certeza do que crê? Qual a razão de sua fé? Quem é Deus? Como Ele se revela a você? Porque a Bíblia é a palavra de Deus? As Escrituras foram adulteradas para atender interesses políticos/religiosos? Como você sabe? Deus se revela somente através desse livro? Porque Ele não se revela noutras literaturas que requerem para si a mesma autoridade? Você ama e deseja conhecer esse livro que dizes ser inspirado por Deus ou nada se interessa por estudá-lo? Porque você sabe que Ele existe? Deus fala com você? Sério? Como? Não fala? Como não? Porque és cristão? Houve um dia em que entendeste algo sobre Jesus que fez total diferença na sua vida ou simplesmente é cristão porque é? O que Jesus quis dizer sobre novo nascimento? Você nasceu de novo? Será? Quem é Jesus? Porque os ateus estão errados e você está certo? Será que não estás enganado em tudo que crê? Nunca sentistes vergonha em abrir a boca para falar de alguém que não conhece? Já sentiu-se aliviado(a) em reconhecer que precisa retirar a máscara, descer do salto do orgulho na festa das vaidades, despir-se da fantasia, se ajoelhar solitário no jardim da humildade à margem das águas serenas da vida e implorar o favor divino?

Diga que as respostas devem ser racionais e objetivas, e não responder todas as vezes que “o pastor Zezinho profeta não sei das quantas disse…” ou “o padre fulano de tal falou…” Alguém pode achar que é covardia e desnecessário sabatinar uma pessoa simplesmente porque disse que tem muita fé, mas, “tenha fé” no que estou dizendo: com duas ou três dessas perguntas o inquiridor desarticula totalmente o “fervoroso”, fazendo-o complicar totalmente o meio de campo. E se ele perder a fé por causa disso é porque nunca a possuiu. Será uma benção de Deus, ele descobrir que nunca teve nada do que sempre disse ter muito. Normalmente, os que tem “muita fé” são aqueles que colocam adesivo no carro: “sou feliz por ser católico”, “amo minha igreja evangélica”, “resultado de malaquias 3:10”, “sou fiel dizimista”, “presente de Deus”, etc.

Um parêntese: (se fizeres algumas das mesmas perguntas, porém invertidas, aos que não creem, a maioria vai embolar o meio campo também). Resumindo: o ser humano é mestre em criticar ou questionar os outros sem averiguar seus próprios fundamentos.

Duvide da sua fé, desacredite de suas certezas, se deixe balançar em seus conceitos! Está com medo de que? Tema a ignorância, essa sim pode acabar com sua vida enquanto estás rindo, tranquilo e dizendo que crê. Para nós que declaramos a crença em Deus, sendo tão maravilhoso, majestoso, infinito, justíssimo, Santíssimo, você não acha que esse assunto é extremamente importante para simplesmente dizermos como Chicó: “não sei, só sei que foi assim”? Como pode um crente em Deus se contentar com respostas superficiais para perguntas que não foram feitas? E se foram, não te preocupas em responder? Como pode um cristão que foi chamado para a renovação de sua mente aceitar pressupostos religiosos sem questionar nada?

Dizem que a Semana Santa se comemora a paixão, morte e ressurreição de Jesus, é verdade, mas e daí? Teatralizar a paixão de Cristo e chorar é suficiente? Ver o quanto o Crucificado sofreu e se compadecer dele. É isso? Sacrificar a si mesmo para subconsciente e religiosamente dizer que seu sacrifício é mais eficaz que o de Cristo ou pelo menos sacrificar-me um pouco para completar o sacrifício de Jesus que fora imcompleto? Mesmo? Tem certeza que o Autor e consumador da fé está feliz com isso? O sacrifício de Cristo não foi suficiente? Se foi, quando você se sacrifica, o que pede a Deus? Acha que tem algum direito porque “fez” algo para o Eterno? Onde Ele requereu alguma coisa de você? Se Deus acha que você poderia fazer algo bom para si mesmo porque enviou Jesus e porque Ele sofreu tanto?

Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone não estão falando especificamente sobre religiosidade, mas de injustiça social. Trenchtown, favela na Jamaica, favela da Maré no Rio de janeiro, e Alagados, favela em Salvador, na lista da revista Roling Stone ficou em 63º lugar entre as 100 maiores músicas brasileiras. Apesar de tudo isso, seus autores não imaginam o quanto sua letra é mais bíblica que muito do que se canta nas igrejas contemporâneas. É um clássico que atravessa décadas, porém, nunca estivemos tão alagados como agora. Quanto as antenas de TV, veja o que George Onwell, escritor que criou a expressão Big Brother disse: “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia, e a mídia controla a massa”. E em se tratando de massa, marcas e mídias religiosas a coisa se complica ainda mais.

Hoje minha esposa estava assistindo à um pregador televisivo, que juntamente com alguns outros desse time de falsos profetas, suas mensagens abarcam o lixo dos lixos do evangeliquês no país do samba, carnaval, futebol, corrupção e por último e não menos numeroso, o país da religião. Pois bem, fiquei observando o excelentíssimo pregador. A cada argumento encerrado com uma frase de efeito arquitetada para aplausos e arrepios, a galera ia ao delírio. É até engraçado sua sútil paradinha para a ovação dos fiéis que não sabem fiéis em que. Em homenagem a essas pessoas que tem um paupérrimo entendimento do evangelho fiz um poema com rimas paupérrimas:

Crentes, mas não sabem crentes em que
Filhos, mas não sabem filhos de quem
Salvos, mas não sabem salvos de que
Obedientes, mas não sabem obedientes a quem

Justamente na semana da páscoa, o evento mais importante do cristianismo, sabe quantas vezes ele se referiu a mensagem da cruz? Nenhuma. A essência de sua conferência (pregação é coisa do passado), como sempre, é vitória, vitória, vitória, quem está no centro é o homem e não Deus, o bem-estar humano, sua prosperidade, tudo para mim, o que posso faturar, o que irei ganhar ao cumprir uma cartilha gospel, tudo eu eu eu, me dá me dá me dá, e ainda se não bastasse a distorção, para que eu receba, tenho que pagar: dinheiro, ou melhor, sementes e ofertas, juntamente com jejuns, frequência na igreja, “obediência” a líderes “ungidos”, a lista é extensa. E o que isso tudo tem haver com o evangelho puro e simples de Cristo? NADA.

(A maravilhosa arte de viver de muita fé, só não se sabe muita fé em que).

Em seguida, disse a minha esposa que iria lhe mostrar um palestrante que não é religioso, mas fala a mesma coisa que esse pastor: entrei na internet e pus um vídeo de um estelionatário do Marketing Multinível, a ênfase de seu discurso era exatamente a mesma do “ilustre” pastor: prosperidade, riquezas, bênçãos, mas para receber tem que ter “muita fé” e trabalho [sic!]. Para isto recitava versos da Bíblia totalmente fora de contexto para um público não menos extasiado.

Com raras exceções, não dá mais para saber a diferença entre um evento de motivação para ficar rico rápido e um culto evangélico, uma coisa sei: ambos deixam seu adorador pinel. Ah, há uma diferença: o segundo deixa o fiel que não sabe fiel em que, zoroca em nome de Gizuis. Pior é chamar isso de “relacionamento com Deus”. A que ponto chegamos minha gente. É cada uma que vejo que certamente até o diabo duvida. Então cheguei a conclusão:

“Um palestrante motivacional que de vez em quando usa versículos bíblicos para fundamentar seu distorcido entendimento sobre a graça de Deus é mais coerente que um pregador/adepto da teologia da prosperidade que de vez em quando usa versículos bíblicos para falar de Cristo”.

Alagados da fé.
Tempos difíceis.

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

Texto e comentários publicados originalmente em uvasroxas.com em 31/03/2013

VOCÊ É SANTO LUTANDO PARA NÃO PECAR OU PECADOR LUTANDO PARA SER SANTO?

unfair_fight Ontem no seminário teológico, alguém suscitou essa pergunta. Posteriormente, a Luciana a publicou no facebook, o que gerou inúmeros comentários, cada um contribuindo com sua opinião. O que você acha?

Filosoficamente, quando você restringe uma pergunta em apenas duas opções, há possibilidade de incorrer em erro, pois, pode ser que a resposta não seja nenhuma das duas. Essa questão nos encaixota induzindo apenas marcar com “x” como em múltipla escola, e não pensar que pode haver outras perguntas e, portanto, outras respostas. E ainda, de acordo com a sintaxe, inconscientemente, o que fica em nossa cabeça é a palavra “lutando” deixando em segundo plano as palavras “santo” e “pecador”.

Respondendo a pergunta: não sou nenhum dos dois. Tudo bem que há situações que teremos várias escolhas, noutras duas, ou apenas uma, mas no caso em questão não sou nem “santo lutando para não pecar”, nem “pecador lutando para ser santo”.

Ainda que longe do ideal, pois é uma luta perdida antecipadamente, a primeira opção faria mais sentido. Mas a segunda é um desastre total e nega a graça de Deus, as religiões são mãe e pai desta expressão. Mas abaixo vou argumentar que há outra possibilidade além das que foram propostas.

A Bíblia diz que todos somos pecadores. A Bíblia também fala que quem está em Cristo é santo. Isso é uma contradição? Não. Primeiro que quem não está em Cristo não pode ser santo. Segundo, santidade não é o contrário de pecado. Mas o contrário de santo é profano e o contrário de pecado é perfeição, ou seja, alguém pode não ser profano e ser imperfeito ao mesmo tempo. Como disse Agostinho e mais tarde reforçado por Lutero: simul justus at peccator (ao mesmo tempo justo e pecador). Sabendo os contrários das palavras santo e pecado e do que Agostinho e Lutero disseram, penso que afirmar “ser ao mesmo tempo santo e pecador” é só uma questão de lógica. Se puder formular uma frase seria: “sou declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em mim”. Esta é a terceira opção, e fico com ela. Pode parecer que não faz diferença, mas faz. Para quem quer apenas um resposta rápida pode parar a leitura por aqui. Valeu. Até logo. Abraço.

Pesquisadores da Austrália e Canadá[1] descobriram uma bactéria que por sua secreção pode através de reações químicas produzir ouro. Os estudos apesar de não serem conclusivos, estão avançados, e em algum tempo, estudiosos estão otimistas em futuramente produzir quilos e quilos de ouro diariamente a partir dos excrementos de uma bactéria pra lá de especial. Pense: se quando essa bactéria obra produz ouro, imagina o que pode fazer noutras atividades menos “sujas”. Se esse ouro vai ter cheiro não sei, mas se tiver será muito agradável e se feder quem se importaria? E quanto ao homem, pode produzir algo de bom? Não! O fruto de suas melhores obras, justiça e “santidade” a Bíblia diz que para Deus são como trapos de imundície. Se as melhores e mais cheirosas obras do homem são imundas, imagine as piores.

A santidade não deve ser entendida como algo intrínseco ao homem, como se pudesse produzir bondade a partir dele mesmo. Quanto ao pecado Jesus disse: “quando vier o Consolador convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” e continua “do pecado porque não creem em mim”. Ou seja, o problema fundamental do pecado está relacionado em rejeitar Jesus como Senhor. A santidade está relacionada ao conhecimento de Deus.

Uma pessoa que não tem a mínima noção do Evangelho, não sabe quão miserável é, quão morta está, não sabe o propósito da morte e ressurreição de Cristo, não entende a graça soberana, ao ver essa pergunta, simplesmente escolhe se é “santo lutando para não pecar” ou se vai estar do lado dos “pecadores lutando para serem santos”, e fica por isso mesmo. E tudo isso a partir de seus próprios méritos, esforços e justiça. E é exatamente isso que a massa católica e evangélica está tentando causar em seus respectivos seguidores. Ou seja, uma lambança reproduzindo um simulacro de santo-do-pau-oco misturado com pecador piedoso.

Ninguém pode ser mais santo que foi ontem, nem mais santo que seu próximo, nem menos santo que qualquer “santo” vivo ou morto, porque a santidade é proveniente do SANTO e toda d’Ele. A partir do momento que entendo a mensagem da Cruz, depositando em Cristo minha confiança e esperança, aos olhos de Deus não posso ser nem mais nem menos santo, nem ser mais ou menos pecador. Sou apenas simul justus at peccator, ao mesmo tempo justo e pecador. Veja o que em Hb 10:10 diz:

1356034“Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas.” 

Interessante que normalmente associamos o sangue de Jesus com a justificação, o que é verdade, mas neste texto diz que fomos santificados por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo. Observando que o verbo “ir” está conjugado no passado (pretérito perfeito), não ocorre pelos nossos sacrifícios e esforços contínuos presentes ou futuros.

Santidade: diz respeito somente a Deus. Pecado: diz respeito somente ao homem.

Como conciliar isso, melhor dizendo: como reconciliar homem e Deus? O amor de Deus e a resposta. Veja o que diz em 2 Co 5.21: “àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Somente quem não conheceu pecado (Jesus) venceu o pecado. Veja, antes de praticar pecados, sou pecador, isso diz respeito a essência, por isso entender Cristo é mais importante que lutar contra o pecado. Como diz o versículo, só posso vencer o pecado quando “nele” sou feito justiça de Deus.

Quando pratico boas obras, isso é evidência de quem habita em mim que é o Espírito (Santo) e não resultado de quem sou (pecador). Por isso a “luta” se processa na minha mente e não no meu corpo ou nas minhas obras, pois todas elas são más. Quanto a isso vou me retirar por um parágrafo para que o apóstolo Paulo, explique melhor:

“Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado.” (Rm 7.18-25)

Devemos sim lutar para não pecar, e mesmo sabendo que na maior parte das vezes iremos perder (aqui acho que errei, pois Paulo disse que perdia todas), mas se posicionar nessa arena de combate é muito revelador sobre o tipo de coração que temos. Paulo vivia esse embate constantemente: olhar para a absoluta santidade de Deus e enxergar sua absoluta miséria. Mas sua alegria indizível era confiar na justiça substitutiva de Cristo, o Senhor! Ou seja, a luta épica de proporções cósmicas está na dimensão do entendimento da palavra de Deus e conhecimento da pessoa de Cristo, só então vencemos o pecado da ignorância, não por nossas forças e lutas, mas pelo único e exclusivo amor e poder de Deus. Nesse texto Paulo despe a natureza humana tão rudemente que alguns religiosos defendem a ideia que o apóstolo havia escrito isso antes de se converter, mas apenas um pouquinho de interpretação de texto mostra que nesse momento ele já era simplesmente O APÓSTOLO PAULO! Se ele estivesse se tornando “mais santo e menos pecador” bem que poderia dizer isso aqui e se contradizer totalmente, né não?! Veja outra passagem interessante em Hb 9.14:

“quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?”

Óbvio que os “declarados santos entendendo que Cristo venceu o pecado em nós” não são amorais, imorais, antiéticos, maldosos, pervertidos, incrédulos, etc, mas seu padrão de conduta em todos os sentidos deve servir como referência, que isso fique claro. Os livros de Romanos, 1 Coríntios e Hebreus nos dão um bom entendimento quanto ao conceito de “ser declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em nós”. Essa adendo evita que alguns digam: “assim é muito fácil, nada depende de mim? Quer dizer que posso viver dissolutamente e “chutar o pau da barraca”?” Não é isso que estou dizendo, veja Hb 10.29:

“Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, que profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça?”

Quem não valoriza o preço do sangue derramado em favor de si mesmo, no qual foi santificado, está profanando o sangue da aliança e insultando o Espírito da graça. Isso é terrível, pois, pisar nos pés feridos do Crucificado não é uma boa ideia. Olha quão sensacional é esse texto de Ap 22:11: “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda”. Repetindo: seja santificado ainda, não é santifique-se ainda.

Reconciliação, justificação, regeneração, adoção, santificação e glorificação, são conceitos diferentes que compõem a redenção total do homem, não vamos falar de cada um porque não é o caso. Mas assim como na doutrina da justificação, na doutrina da santificação o principio é o mesmo. Na primeira, nossa justiça se fundamenta na fé no sacrifício e morte de Cristo em nosso lugar, ou seja, como deu entender Paulo e disse Lutero: “não nos tornamos justos, mas somos declarados justos”, dai a expressão tomada emprestada do termo jurídico: justificados. (Rm 3: 24-28). Na segunda doutrina não nos tornamos santos, somos declarados santos pelos méritos da vida de Jesus uma vez que ressuscitamos pela fé para uma nova vida juntamente com ele, daí a expressão santificados.

Pode parecer que é uma diferença mínima entre “ser santo e lutar contra o pecado”, e “ser declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em nós”. Mas a não observância desse detalhe é que tem feito-nos perder o foco da mensagem central da Bíblia: CRISTO É TUDO! Por isso tantas mensagens “cristãs” de autoajuda, motivação, vitória, amor, perdão, paz, fé, felicidade, mas todas estas mensagens colocam o homem no centro, pensando que a partir dele mesmo pode ser melhor e mais feliz. Essa é a inversão de valores que chamamos de teologia cristocêntrica para teologia antropocêntrica, a última é uma contradição de termos, porém a que mais se prega e se crê por ai.

Alguns podem dizer que não fomos santificados, mas estamos sendo santificados. Essa ideia de estar num processo de santificação por esforços próprios, no sentido de ser “melhor” ou pecar menos, é uma ideia católica romana que os protestantes assimilaram tão bem ou melhor que seus antecessores. O que podemos e devemos agora é como disse Paulo em 2 Co 3.18:

“E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.”

Ao contemplar a glória do Senhor que é a sua Palavra Viva com sinceridade e entendimento, aqueles que são “ao mesmo tempo santos e pecadores”, estão sendo transformados, não é que eles se transformam, o verso termina dizendo: “a qual vem do Senhor”. Esse é o verdadeiro processo de santificação. Ele(a) não se torna mais santo, mas se torna mais humano. Faz-me lembrar uma charge onde o bonequinho orava a Deus dizendo e batendo as mãos no chão e ao peito:

– Senhor sou tão santo! Tão bom, tão melhor e mais inteligente que as outras pessoas! Mas o que faço para ser mais santo? – Seja mais humano. – Deus responde.

Lembra-se quando no primeiro capítulo do livro de Gênesis, Deus disse: “façamos o homem a nossa imagem e semelhança”? Pois bem, quando com a face descoberta comtemplamos como por espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, não é que estamos num processo de divinização por nossa capacidade, mas num processo de humanização pelo poder de Deus. Quanto mais conhecemos a Deus, mais homem e mulher nos tornamos, e se isso não estiver acontecendo é porque estamos multiplicando apenas religião hipócrita ou filosofia de boteco, bestializando-nos cada vez mais, tornando-nos intolerantes, julgadores, achando-nos mais conhecedores, capazes e melhores que os outros “pobres ignorantes”.

O processo de santificação pode também ser entendido por processo de humanização. Em nosso inconsciente acreditamos que quanto mais santificados somos, mais anjificados nos tornamos, mais isso não é verdade. Na Teologia Sistemática santificação é o processo pelo qual nos tornamos semelhantes a Cristo. Pergunto: vamos tornando-nos semelhantes a natureza do Cristo em sua divindade sem pecado ou em sua humanidade sem pecado? Não tenho dúvidas que esse processo se dá para a humanidade de Cristo, senão quanto mais “santos” mais “deuses” nos tornaríamos. E o que achamos ser um processo de santificação pode na verdade ser um processo de bestialização. Veja Ef 4.13,14:

Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.

Esses dois versículos desmontam essa ideia de ser “mais santo”, pois, diz que a medida que conhecemos o Filho de Deus (não diz ser menos pecador), chegamos a homem perfeito (não diz santo perfeito), e finalmente infere claramente que estamos num processo para chegar a humanidade de Cristo e não a sua divindade. Isso é deixar de ser menino incostante. De maneira que, quer ser santo? Conheça o Santo. Quer virar homem e deixar de meninice? Prossiga em conhecer o Desejado das Nações. A frase “um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus” é muito boa, principalmente por vir de um escritor católico francês do século passado, Thomas Merton.

wonderful-lake-landscape-wallpaperComparo o conhecimento – da santidade – de Deus como um rio incomensurável, você não pode beber toda sua água, mas pode de coração ofegante, dobrar os joelhos vacilantes, apoiar os pés resvalantes e saciar a sede afundando as duas mãos trêmulas e fracas retirando-as cheias de água cristalina e pura. Pode não ir até o fundo a encostar o pezinho em suas profundezas, mas pode fechar os olhos, prender a respiração e entrar de cabeça em sua superfície e deliciosamente mergulhar por sua margem. Mas ao contrário do rio que quanto mais fundo, escuro, sem ar e maior a pressão, em Deus, quanto mais fundo, mais vida, mais claro tudo se torna… e maior liberdade.

Dito isto, pergunto: “você é santo lutando para não pecar ou pecador lutando para ser santo?” ou ainda “declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em você?” Acha que tem mais opções? A pergunta o encaixota? Ok, medite no assunto e… diga.

Bom, essa é uma discussão milenar, não acho que podemos resumi-la nalgumas frases, nem achar que se esgota e encerra o assunto apenas numa opinião, estou muito longe tanto de enquadrar a questão num artigo, tanto quanto fechá-la na minha mente, assim como, sou um pecador da pior espécie dado o conhecimento que tenho de minha natureza, mas glória a Deus e somente a Ele que nos amou, sofreu, morreu e ressuscitou e vive pelos séculos dos séculos por todos quantos foram designados para assim crer!

Ao Deus que transcende infinitas eternidades, Senhor de ilimitada criatividade, que se humilhou e nos amou incondicionalmente…

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

Texto e comentários publicados originalmente em uvasroxas.com em 19/02/2013

MAMÃES NÃO DEVERIAM MORRER

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Queridas mamães,

Se existem seres humanos que não deveriam morrer são vocês. Outro dia sepultamos a mãe de um grande amigo. Eu e o Leonardo ficamos até as 4:00h acompanhando o Uendel em sua dor e velório de sua mãe Cleonice. Foi uma madrugada com a morte ao lado que certamente nos acompanhará por até o fim de nossos dias.

A meia-verdade é que a morte me espanta. O rei Salomão disse: “É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos, os vivos devem levar isso a sério!” Enquanto levávamos a sério o dia da morte, tentávamos consolar nosso companheiro, relembrando alguns acontecimentos dos tempos de escola, quando vimos o Aloísio enchendo os olhos d´água…

…de tanto rir… discretamente.

Meu irmão Christiano, Aloísio, Leonardo, Uendel e eu tivemos que nos retirar do salão fúnebre. Direcionamo-nos a um canto inóspito do prédio. Uendel foi junto. Respeitamos profundamente e sentimos a dor do luto dos familiares, não se trata de irreverência, pelo contrário, estar entre amigos num momento como esse, relembrar tempos e rever histórias é uma singela maneira de eternizar quem não queremos sepultar.

Cazuza disse: “só as mães são felizes”.

Se um dia Deus apagasse todas as memórias da humanidade sobre como viemos ao mundo, e abrisse um concurso para premiar a maneira mais inventiva que alguém pode planejar sobre como somos concebidos e nascemos, certamente, as mentes mais brilhantes jamais poderiam imaginar algo mais criativo do que carregar outro ser dentro de si, gerá-lo, e finalmente experienciar o ato de dar a luz. Ninguém nunca perguntou aos recém-iluminados, mas choramos ao nascer porque nos separam de nossa genitora… para sempre. No nascimento somos separados de nossa mãezinha, em sua morte separam-nas de nós.

Só as mães dão a luz.

Como uma pessoa que dá a luz pode ser apagada da vida? Agora entendo quando muitos filhos perdem o brilho nos olhos ao verem suas mães falecendo. Mas nos resta uma imortalidade e uma esperança. Para falar sobre a imortalidade, com vocês o grande educador Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor assim não morre jamais.” As mães são nossas primeiras e muitas vezes, únicas professoras.

Tenho inúmeras lembranças, mas refiro-me especialmente a Vilma que foi secretária na casa de meus pais por mais de 30 anos, certa vez quando ela deixou de trabalhar conosco por um tempo, todos os dias acordava cedo e ia para a esquina e se escondia, somente para me ver passar a caminho da escola, e ali, por detrás de uma árvore, chorava de saudades… aquele “pingo de gente” cabisbaixo, chutando pedras, limpando remelas, com uma pasta pesada nas costas, mal sabia que havia um anjo acompanhando cada passo seu, talvez jamais alguém me ensine amor, sacrifício, humildade e abnegação tanto quanto ela. A Luciana, minha esposa, que foi a primeira pessoa que leu a Bíblia para mim, não posso imaginar quem seria hoje sem aquelas leituras eternas em bancos de praça. A Ana Lúcia que quando não tive ninguém para me ouvir e cuidar de minhas feridas profundas estendeu a mão e tirou-me do buraco.

Acho muito curioso não ter o Dia do filho, pois, seria uma dor insuportável a muitas mães que perderam seus filhos, multiplicar e externar o sofrimento que ela passa todos os dias ao não poder no Dia do filho olhar seu garoto amarrando o cadarço do tênis; não mais ver sua filha chegando em casa; não ouvir seu filho dizendo que a comida está uma delícia; não ter a alegria de pensar que ela está nalgum lugar se divertindo com amigos. Da mesma forma, o Dia do filho não faria o mínimo sentido às mães que dão tudo de si todos os dias aos seus descendentes, que muitas vezes, não reconhecem.

Deveria haver um exame, um tipo de ressonância magnética cerebral para descobrir quanto de cada mãe há em nossa fala, gestos, atitudes e pensamentos. Mas Rubem Alves tem razão, os que morreram imortalizaram-se em nós, ainda que em pequenas partículas de vida. “Mas Lucianno, Dia das Mães, festa, churras, macarronada, música, reunião de família, menino correndo e gritando, vovô segurando a peruca, e você falando de morte?! Não daria para falar noutro assunto?”

– Não.

Não porque a mãe do meu pai já se foi. A mãe da minha mãe também e nem em seu velório pude estar. A mãe do Uendel expirou a alguns dias. A mãe de meus primos José Manuel, Arthur e Maria Raquel, quando falei com ela da última vez estava por entrar na ambulância indo falecer no hospital. A mãe da minha prima Fernanda morreu. A mãe da Bianca faleceu. A mãe da Cárita também. A mãe da Beatriz e do Alexandre da mesma forma. A mãe da Eni experimentou o passamento a 40 anos e até hoje o dia das mães é um dia difícil para ela, e sempre será. A mãe da Camila. Despedi-me da dona Ana numa cama de hospital combinando de um dia reencontrarmo-nos. A mãe do Bolinha e a mãe do Erick faleceram. A mãe de Jesus também.

Falando da esperança que nos resta, com a palavra Agostinho: “Maria tornou-se mais feliz recebendo a fé de Cristo do que concebendo a carne de Cristo.” Não sou eu que estou dizendo, mas o Santo Agostinho, precisa de alguma referência? Algumas frases não são tão interessantes em si, mas da boca de quem saiu, torna-se uma bomba.

Queridas mães, a morte me espanta, mas a vida incriada e sem fim muito mais. Todos os assombros do mundo não seriam suficientes para mover um milímetro do véu que paira sobre os olhos de muitos que ainda não enxergaram a Vida. Assim como Maria, mais felizes seremos recebendo a fé de Cristo: o Deus sobre tudo, o Deus que transcende o nada quando somente nada existia, SENHOR da morte para sempre. Depois que tudo se acaba, todos morrem no final do filme, não há a quem recorrer, essa é a esperança que nos resta.

Eu te amo minha maravilhosa mãe Amália; tenho muito orgulho de você e admiração por quem és; entre as mães que meus amigos tem, certamente você está entre as mais especiais; gosto quando contas histórias sobre mim que só você sabe. Obrigado por dar a vida por mim quantas vezes for necessário. Obrigado mulheres e mães imortais da minha vida. Vasculho, mas não encontro palavras para dizer o quanto sou grato. Estou aprendendo a ver o mundo pela magia de vossas palavras.

Aos meus amigos(as) que suas mães se foram de vós, entristeço convosco; por outro lado, alegrem-se comigo de alguma forma, os olhares de suas mães estão em vocês agora correndo por essas linhas.

Assinam-me:
Amália (minha mãe), Vilma (mãe do Nenezinho), Vânia (mãe da Beatriz), Ana, tia Geralda (mãe do Múcio), tia Vilma (mãe da Andrea), tias Marilu, Maura, Nedy, Desire e Terezinha, Luciana, Profª Silvia, Profª Jucelém, Darci (mãe do Georton), Ana Lúcia (mãe do Leonardo) Francisca (mãe da Fernanda), Vânia (mãe do Diego), Ivone (mãe da Giovana e do Breno), Ana Lúcia, Dona Peixota, vovó Geralda, vovó Gumercinda, Maria (mãe de Jesus). E tantas outras Marias.

 © Lucianno Di Mendonça
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