OS 10 MANDAMENTOS DO DÍZIMO NA IGREJA UNIVERSAL

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Muitas pessoas “anti-iurdianas” por não saberem o que estão falando, por terem maus olhos, por terem sido feridas na igreja, saem falando mau de nós. Apesar que, quanto mais somos perseguidos, mais crescemos, [ops] ato falho, isso não é mais verdade, estamos é desesperados e diminuindo, mas como dissemos isso a vida inteira feito papagaios, ainda repetimos sem pensar, aliás, pensar nunca foi nosso forte. Abaixo vou provar anti-biblicamente através dos 10 Mandamentos do Dízimo como estamos[1] certos:

1. [Não leia a Bíblia] No princípio o próóóóprio bispo[2] criou a igreja universal. A árvore da vida era o dízimo, e o dinheiro era o sangue do povo. (O Bispo 1:1)

2. [Seja cúmplice de obras infrutíferas das trevas] É através do dízimo e das ofertas que compramos e mantemos redes de rádio e TV para “isvangelizar” e “ganhar almas”. Bispos e pastores fingem que isso é verdade e o povo finge que acredita, apesar de vermos tudo o que acontece nos bastidores e às claras, mas não dizemos nada e continuamos financiando suas megalomanias, porque temos medo da maldição dos “ungidos”. (Carta do próóóóprio bispo ao Romuloaltio)

3. [Rejeite o Novo Testamento] Não somos Judeus, não estamos no Antigo Testamento, não estamos na Antiga Aliança, mas temos uma aliança de lata no dedo e estamos na fé de Abraão, Nova Aliança e graça é para os fracos, nós somos fortes e estamos na guerra! (300 cartas do próóóóprio bispo aos emburdes)

Idle thoughts - don't think4. [Seja um papagaio] Dizimar é fundamental para ser abençoado e ponto final. Quem não dizima dá “brecha” para o devorador, rouba a Deus. Repetindo, dizimar é fundamental para ser abençoado, quem não dizima dá “brecha” para o devorador, rouba a Deus. Repetindo mais uma vez para lavar bem o cérebro, dizimar é fundamental para ser abençoado, quem não dizima dá “brecha” para o devorador, rouba a Deus. Repito constantemente o que os pastores repetem ininterruptamente, mesmo que não consiga provar essa heresia no Novo Testamento, e ai de quem não pegar os envelopes de dízimos e campanhas. “Repetindo mais uma vez, agora na fé, para tremer o inferno, dizendo para o irmão do lado: dizimar é…” (Introdução do livro: Pastores manipuladores)

5. [Seja pretensioso] Não importa quantas vezes se dizimava e ofertava por ano em Israel e se era para os órfãos e viúvas, em nossa seita fazemos 3x por “culto subconsciente ao próóóóprio bispo”, fazemos isso insistentemente, mesmo que não seja para os fins aos quais a Bíblia determina. E ainda achamos que podemos cobrar algo de Deus porque somos fieis [sic]. Ouvimos sobre (muito) dinheiro o tempo todo, Cristo é um mero figurante nas reuniões, apenas citam seu nome, abrem a Bíblia, mas não dizem nada do contexto, senão pegaria mal e ficaria difícil persuadir o povo. (Envelope das 1001 campanhas)

6. [Rejeite a graça de Deus] Dízimo é só para manter a riqueza [sic], aqui em nossa seita destrutiva, quando não temos o que dar, arrancamos o dente de ouro e entregamos aos pés dos bispos no “altar”, e voltamos banguelas e mais pobres para casa. Isso é fé inteligente. Não se admirem na próxima Fogueira Santa doarmos rim, fígado, pulmão, medula óssea, pele, orelha, córnea de um olho, afinal, se está sobrando é porque deus nos deu para que abençoemos a “obra”. Seja Fiel! (Lavanderia cerebral 4.1-10)

7. [Seja motivo de piada] Se Jesus e os apóstolos praticavam dízimo não sei, mas aqui na seita, Jesus assina diploma de dizimista. Somos os únicos da universidade da fé. Chupa essa anti-iurdianos! (Bilhete do próóóóprio bispo aos pastores auxiliares)

puppetartist8. [Consuma vorazmente todo o lixo que produzimos] Onde está escrito que o dízimo é o que pregam? Esta é fácil, está escrito na Folha Universal na sessão de novelas, artistas e A Fazenda. (Devorador devorou meu cérebro,  capítulo primeiro)

9. [Seja um produto de marketing] Não me fale do que está escrito na Bíblia, não me interessa! Eu sou a universal e ponto final. E você que nos critica, quem é? (Reunião de candidato a obreiro 10.1)

10. [Não pense] Quem não ouve as palavras do próóóóprio bispo, não é dele, pois, quem é do próóóóprio bispo ouve a sua voz e segue o próóóóprio bispo. (Prefácio de: Nada a pensar)

      Provei que o dízimo é “bispíblico”. Envie os “10 mandamentos do dízimo” para quem está frio na fé e saiu da seita, tenha amor às almas caídas, após lerem isso se converterão ao São Dizimú. A única coisa que não concordo com o próóóóprio bispo, foi quando ele teve a infeliz ideia de fazer mídia para internet, como blogs, sites, facebook, etc, pois assim, também entramos em páginas de “anti-iurdianos” e “endemonhados” que nos perseguem e tentamos apaixonadamente argumentar contra eles, com isso, muitos de nós estamos nos livrando desta seita destrutiva. Ai que óóóóóóóóódio! Como pude perder tanto tempo da minha vida?

     Querido leitor iurd-marciano, em qual mandamento você é mais fiel?

    Obs: sei que há irmãos convertidos e tementes a Deus na IURD, meus amigos e minhas amigas, saiam desse lugar correndo, não olhem para trás para não virarem um saco de sal grosso. Falei somente sobre a distorção que fazem quanto ao dinheiro, as aberrações sobre os mais variados assuntos são inesgotáveis. Leiam a Bíblia, pelo menos o Novo Testamento. O livro que vocês dizem crer, o livro que sua igreja diz crer, as Escrituras que seus bispos dizem pregar, entendendo que JESUS CRISTO CRUCIFICADO E RESSURRETO É O CENTRO DA MENSAGEM. Se alguém sentiu-se ofendido, não é minha intenção, só espero que abra os olhos. Não entro em discussões apaixonadas, não tenho tempo e disposição para isso.

NOTAS:
[1] Desenvolvo o texto na primeira pessoa do singular, como se fosse membro dessa seita destrutiva, apenas como recurso literário.
[2] Quando alguém cita “o bispo”, especialmente entre obreiros, fazem questão de incluir a palavra “próprio” como se sua palavra fosse infalível, não tendenciosa e oportunista, não bastando isso, arrastam a vogal tônica “ó” criando assim um novo verbete e expressão na língua portuguesa: “próóóóprio bispo”. Isso não é piada, converse com um obreiro afetado (desculpe a redundância) da IURD e certifique-se disso.

© Lucianno Di Mendonça
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O MACHADO DE CRISTO

3712_Ocean-versus-Desert-greened-tree-versus-dry-treeOutro dia perguntei a um amigo se ele está frequentando certa denominação Evan-Jélica (não errei, é com J mesmo, de Jegue).
 Ele respondeu alegremente: – Sim. É uma benção, o pastor é ‘isso e aquilo’, fogo puro, orando nos montes, campanhas, jejuando, Deus operando, milagres, respondendo orações e blá blá blá, pirirí-pororó…
– Escuta! Você quer aprender de verdade ou passar o resto da vida só no oba-oba? – Perguntei.
– Quero aprender. – Meu amigo responde esvaziando-se como uma bexiga.
– Vamos à minha casa, você vai começar com um livro que irei lhe dar. – E a conversa continuou… e melhorou.

Iniciei com esse pequeno diálogo para introduzir onde quero chegar: não adianta participar de reuniões se a pessoa não tem interesse em estudar a Palavra de Deus, assim como, se estiver frequentando um terreiro de babaçuê Evan-Jélico, um milhão de vezes é melhor não ir do que aprender a fazer encantamentos com algum xamã gospel em nome de Gijuis, são feiticeiros intelijumentos ensinando encantos, tele-guiando e encantoando os descantiados do pensamento. Muitas vezes, os tele-guiados descantiados do pensar até saíram da religião Evan-Jélica, mas o Evan-Jelicalismo não saiu deles.
No parágrafo anterior, não disse LER, mas sim ESTUDAR. Ler é para quem está sendo alfabetizado. A Bíblia não é um livro de leitura como se lê Chapeuzinho vermelho tentando se safar do Lobo mau (muitos vão a Bíblia com essa idéia e deixam de ir também), mas as Escrituras é o Livro do Soberano escrito ao homem miserável, por isso o mínimo que podemos fazer é estudá-lo e nele meditar, para somente a partir daí avançarmos na pratica do pouco que aprendemos sobre ELE (e nós). Isso exclui, evidentemente, os analfabetos e quem por algum motivo físico ou mental esteja impossibilitado.

Certo dia estava vendo uma colega na faculdade escrevendo numa lentidão incrível, igual a quando escrevíamos em cartilha, não conseguindo coordenar o raciocínio, escrevendo “mim empresta uma borracha”, “agente somos top”, “eu sou menas falante”, etc. Mas, certo dia, chorando muito veio pedir-me ajuda: “quero aprender, mas não estou dando conta.” Passei-lhe um livro para transcrever para o Word. Resultado após alguns meses e anos: por uma série de motivos melhorou e está alegre, principalmente pela disposição e talento de alguns professores em ensinar, mas tem algo que poucos têm: estuda mais que todos da sala. Por outro lado, conheci um rapaz mais novo que eu, que sabe mais teologia que um dia eu possa vir a conhecer. Perguntei-lhe: “cara, você trabalha o dia inteiro, faz faculdade a noite, que horas você estuda?” Sua resposta: “de madrugada e finais de semana”.
O problema é que 75% da população brasileira é ou analfabeta ou analfabeta funcional, esse último, compreende quem sabe ler e escrever, mas não consegue interpretar textos simples ou fazer uma operação matemática básica, ou seja, apenas 1 em cada 4 entende o que lê. Os analfabetos funcionais estão nas universidades também, isso é uma vergonha total!
E quando partimos para a religião Evan-Jélica, o problema vêm a galope, os analfabetos funcionais estão nos púlpitos e, para piorar, muitos de seus “pastores” e “líderes” ensinam exaltando a anti-inteligência, anti-racionalidade, anti-cristianismo autêntico, estimulando a jumentalidade. Claro que há exceções, mas entenda como exceção e não como regra. É muito fácil identificar uma pessoa que não valoriza o conhecimento, mesmo que seu discurso não admita: nunca os iremos ver indicando um livro, falando de um filme que estimule a cultura, falando de uma letra de música que ele(a) ache inteligente, chamando atenção para alguma filosofia interessante, falando das Sagradas Letras com brilho nos olhos e, quando o assunto parte para esse lado, não tem interesse em prestar atenção, fazer perguntas e aprender.

Quando comecei cursar Letras, senti muita dificuldade com as palavras, termos e conceitos próprios do universo das Letras, até abordar uma de minhas professoras e pedir-lhe ajuda, pois, não estava acompanhando seu raciocínio. Você acha que ela abaixou o nível das aulas para que eu a entendesse? Não. Simplesmente se dispôs a ajudar e disse que isso é natural, com o tempo e dedicação nos estudos, o problema seria resolvido, mas teria que ESTUDAR. Dois anos depois, amadureci um bocado, é muito gratificante, terminar um livro de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Dostoievski, sentindo prazer na leitura e, ao final, ter a sensação: entendi um pouco de suas cabeças brilhantes, expandi um pouquinho minha mente! O mesmo processo se dá na Teologia.

Não me interpretem mal, há pessoas que estudam muitíssimo mais que este Zé Ruela que vos escreve, e eles não são melhores que eu, nem quem não estuda é pior que nós, todos são dignos de respeito e admiração, do mais simples ao mais erudito, do mais ignorante ao mais culto. Independente que quem sejamos, desde que estejamos em Cristo, nossa virtude está n’Ele e somente n’Ele.
O argumento que mais ouço quando entro nesse assunto é: “conheço um fulano que conhece a Bíblia como ninguém, mas é mau caráter, malandro, etc.” Primeiro que isso covardia e desonestidade intelectual em não considerar outras variáveis. Segundo, isso é resultado de uma lavagem cerebral trabalhando em função dos poderosos, pois, o dia que o povo tomar conhecimento das coisas, o império religioso começa ruir naturalmente. Terceiro, quantas pessoas em sua comunidade cristã que são tão ruins como o exemplo acima e mal sabem discernir se Filemon está no AT ou NT, ou se Tito é um livro da Bíblia ou um tiozinho que mora na vila? Não é o conhecimento que corrompe o homem, mas seu coração (Jr 17.9), e coração, todos têm, o que vamos fazer dele, e para quem o iremos guardar não está relacionado ao saber que adquirimos, pois, este é neutro em si mesmo.
Em Oseías está escrito: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” Não que eu esteja com a pá virada, mas o dia em que o Soberano vai virar a pá está chegando, o machado de Cristo está posto a raiz das árvores (Mt 3.10-12).
A questão é apenas uma: vamos parar no tempo, deitarmo-nos na cama ou sofá, assistindo novela, BBB, zapeando no zap zap, navegando no face, publicando fotos no instagram, participando de cultos antropocêntricos evan-Jélicos duas vezes por semana ‘com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar’, ou vamos usar nosso cérebro para a glória de Deus?

© Lucianno Di Mendonça
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HOJE É DIA DE MAQUIAR O MADEIRO?

10151862_838695766146553_4293255005374268132_n[Quadro do pintor Tintoretto, de 1565, por nome de “Crucifixion”]

Quais conteúdos você considera essenciais para a prática de um discipulado eficaz? Essa é outra palavra gasta, desgastada e enferrujada ao longo do tempo. Discipulado, na maioria das vezes, é sinônimo de ensinar ao crédulo sobre as “doutrinas” da igreja, sobre a “visão” da “igreja”, sobre princípios de valores da igreja, sobre um código de conduta moral gospel, mas normalmente, não passa de um intensivo lavatório cerebral em moldar os novos adeptos de acordo com os projetos expansionistas imperialistas de algumas mentes carismáticas que substituíram a centralidade de Cristo por uma agremiação evangélica. Certa vez, participei de um “discipulado”, onde o “pastor” lia uma cartilha da denominação e “pregava” as lições para se tornar um “vencedor”, foi uma das poucas vezes na minha vida que fiquei muito irritado, até não suportar mais e desistir passado de hora.
Para responder quais conteúdos considero essenciais para a prática de um discipulado eficaz volto-me a Richard Baxter, pastor inglês puritano do século XVII, que nos meios da ortodoxia cristã é considerado o mais notável pastor da história do cristianismo pós apostólico. Tal título deve-se ao seu meio poderoso de ensino. Mas que método poderoso era esse? Muito simples: o velho evangelho! Não havia novas visões, DNAs, estratégias, moveres ou quaisquer novas descobertas humanas voltadas para “crescimento de igreja”.
Conta-se que num vilarejo com aproximadamente 2.000 pessoas, com a chegada de Baxter, a rotina e estilo de vida da população foram mudadas radicalmente por sua pregação e pastoreio. Ele e outros irmãos tinham a disciplina de visitar todas as famílias da igreja pelo menos uma vez ao ano. Mas a visita não era somente para tomar cafezinho, saber como estava a família, o trabalho ou aconselhar sobre as dificuldades, decisões a tomar e consolar quanto as perdas da vida, mas sobretudo, certificavam qual era o entendimento que os membros daquela casa tinha da cruz de Cristo, do evangelho, do sacrifício de Jesus, da fé, da graça, da glória de Deus, e para isso faziam perguntas cruciais a cada um.
O corretor ortográfico do editor de texto não reconhece a palavra “discipulado” e sugere a correção para “dissimulado”, interessante que é exatamente isso que o movimento evangélico tem feito: dissimular a cruz de Cristo, maquiar o madeiro. A partir de hoje, quando um pastor ou líder que dissimula disser: “hoje é dia de discipulado”, entenda: “hoje é dia de maquiar o madeiro”. Se não queremos cantar mais: rude cruz, imagine ensinar e viver. A cruz não é uma escultura a ser lapidada, uma boneca e ser maquiada, mas para algo assombroso que devemos apontar enquanto estivermos na estrada.
Enfim, penso que o discipulado eficaz é falar as pessoas sobre tudo que envolve a pessoa de Cristo, bem como, quais as implicações da cruz em nossas vidas, mostrando que quem tem Jesus no coração carrega uma cruz nas costas. O discipulado eficaz continua sendo o ensino do velho evangelho, a velha mensagem, a velha pregação, porém a única (como disse Lutero) que pode estrangular o velho homem aos pés do madeiro e transforma-lo em nova criatura.

© Lucianno Di Mendonça
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[Texto que compõe as provas para o aproveitamento de créditos para o curso de Teologia na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina]