FUTEBOL E CRACK

drogas-600x400

Escrevi um artigo de opinião sobre política (clique aqui). Tratando de manipulação, Copa, Hitler, Futebol, Mussolini, Pão e Circo, esportes como instrumento de manobra, corrupção, Mandela, urubus e pipoquinha. Algumas pessoas por não lerem e prestar atenção entenderam que sou contra a Copa. Outros entenderam e alguns mesmo não concordando, pararam para pensar. Não sou contra a copa, não torço pelo seu fracasso. Uma coisa é não torcer para a seleção brasileira, outra, é torcer contra o evento.

Em 1950 muitos foram contra a construção do Maracanã, e quantas alegrias já trouxe? Assim como, não tenho dúvidas que os estádios construídos para a Copa 2014 darão muitas alegrias, sou a favor de quase todos, exceto a corrupção e as arenas que se tornarão magníficos elefantes brancos. Acho incrível alguém defender um governo, qualquer que seja, se PT, PSDB, DEM, PSOL ou qualquer outro, se comprovadamente há corrupção da grossa por cima e por baixo do tapete. Sempre houve roubalheira? Sim. Por esse motivo, vamos ser mais tolerantes e menos militantes.

O que é mais lamentável são os oito trabalhadores que morreram nas construções das Arenas e a queda do viaduto em Belo Horizonte que matou duas pessoas. Para as famílias de dez concidadãos brasileiros essa não é a Copa das Copas. Com a tecnologia que temos hoje e os meios de segurança disponíveis isso é inadmissível.

Em termos de consciência política há duas populações, uma, a que sabe a diferença entre esporte e política, outra (maioria) associa circo com os donos do circo. A questão é que o brasileiro não tem educação mínima de qualidade e os políticos (maioria, não só o PT) usam o esporte como circo. Não que a copa em si seja circo, gosto muito de futebol e sei discernir uma coisa da outra, mas a maioria da população não sabe, para eles funciona como circo, vai me dizer que se o Brasil ganhasse, politicamente não faria diferença na eleição da Dilma? Muitos no lugar dela fariam o mesmo, mas é inegável que uma vitória do Brasil seria bom para o governo vigente, que na minha opinião, a Dilma foi muito ruim, o Lula foi melhor que ela, mas ruim também.

Certo comentarista disse que em 2010 o povo não associou o circo com os donos do circo, pois, a seleção brasileira perdeu a copa e a Dilma ganhou a eleição. Porém, a Copa foi na África do Sul, não foi o governo do PT que estava no poder lá, para com isso tentar tirar proveito. Disse também que em 1970 havia um grupo que torcia contra a seleção porque caso ganhasse, politicamente seria positivo para o governo militar, e isso não aconteceu, o Brasil ganhou a Copa e esse fato não afetou a política nacional. Mas o ilustre comentarista se esqueceu que durante o período militar, não havia eleições, e portanto, o povo não tinha que pensar, escolher e votar. Ou seja, os dois exemplos não correspondem com nossa realidade.

Não estou dizendo que ganhar ou perder a Copa do mundo no Brasil decidirá as próximas eleições presidenciais, mas que é um forte cabo eleitoral, isso é. E se você acha que sou eleitor do Aécio Neves ou Eduardo Campos está enganado. Será que posso ter opinião sem ser direita, esquerda, ser um dos três patetas ou fazer parte dos Três Poderes?

Divertimos com o esporte e sabemos de sua importância, é um excelente elemento formador do caráter de uma pessoa, mas os donos do circo usam o futebol ostensivamente sem escrúpulos, isso é histórico no Brasil e está cada dia pior. Não torci para a seleção brasileira nessa copa por ver tanta sacanagem e manipulação de uma massa alienada, sei que isso não é de hoje, mas sabe quando cansamos de dar murro em ponta de faça? Talvez a copa que você tome a mesma decisão de não torcer não tenha sido essa, mas futuramente quem sabe?

Disseram-me que estou misturando futebol com política, que não deveria fazer isso. Veja o que Romário e Marcelo Rezende disseram (aqui) e (aqui), leia o outro artigo que escrevi (aqui) e depois me responda se sou eu que estou misturando as coisas, ou é o governo e a maioria da população que torce e se aliena que sempre misturaram. Queremos ser o país do futebol e não do circo? Façamos como outros países que incentivam e investem no esporte, formando crianças e adolescentes para a vida.

Não acho que estou sendo apaixonado em pensar assim e não discernindo as coisas, pelo contrário. Não acho também que quem não concorda comigo está errado, é só uma questão de posicionamento político. Ganhar ou não uma copa, torcer ou não pela seleção, não faz de nós mais ou menos patriotas, patriotismo vai além disso, nunca imaginei que seria necessário explicar que patriotismo não é vestir uma camisa de quatro em quatro anos e torcer para um time de futebol. Faz parte? Pode ser que sim, mas está longe de ser verdade que devemos rotular alguém que não torce para a seleção de antipatriota. Veja os motivos antes de criticar.

Outra coisa que ouço muito é “futebol é a única alegria que o brasileiro tem”, sobre isso pergunto: se a única alegria de alguém é fumar pedra de crack, por esse motivo, devemos deixar, não fazer nada e incentivá-lo a usar cada vez mais? Não precisa responder. Sobre isso o teólogo G. K. Chesterton disse: “uma nação que não tem nada além de seus divertimentos não se divertirá por muito tempo”. Imagino se Karl Marx estivesse vivo e de férias no Brasil diria: “futebol é o crack do brasileiro”. Haja clínica de recuperação. Pelo menos quanto a seleção, teremos mais quatro anos de abstinência. Que na próxima Copa tenhamos deixado o Circo de lado e curtamos o futebol puro e simples. Ilusão? Sabe de nada inocente? Tudo bem, vou seguir acreditando num dia em que nosso povo aprenderá discernir o circo dos donos do circo. Cada louco com sua loucura.

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net