QUEM ACONSELHA O PASTOR?

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…….Esse é mais um grave problema quando hierarquizamos, institucionalizamos, engessamos e encaixotamos a Igreja. O ser humano por si mesmo tem a natural inclinação de querer apoderar-se e controlar tudo que o cerca, e farão isso, aqueles que por um ou mais dons espirituais e talentos naturais mais se destacarem. No ministério pastoral não seria diferente. Muitas vezes somos tolos, mas nunca burros, é uma questão de lógica, se o pastor é o maioral, o “pai de todos”, o intocável, o sábio, quem poderá ajudá-lo, aconselhá-lo? Ninguém. Resultado? Pastores e comunidades doentes.
…….Isso é muito comum porque se prega algo que está longe de viver, um pastor que fala de: aconselhamento, do valor da amizade, de como é importante tomar opiniões, de como a natureza humana é corrupta, mas não ensina as pessoas com sua própria vida que todos precisam ajudar e ser ajudados, onde o próprio pastor não busca ajuda, em tal situação, torna-se uma questão de tempo para passar por um esgotamento psicológico/espiritual, talvez irreversível.
…….No livro Ajudando uns aos outros pelo aconselhamento, o autor Gary R. Collins, faz uma distinção entre o dom de aconselhar e o chamado a todo crente como aconselhador, ou seja, nem todos tem o dom, mas todos nalguma medida tem o dever de aconselhar. Esse mesmo princípio vale para o inverso: se todos devem aconselhar, logo, todos devem ser aconselhados, inclusive, pastores e conselheiros. Em outras palavras, quem cuida do pastor, líder, conselheiro e mestre? Todos cuidam de todos.
…….Collins, no capítulo 10, Como ajudar a você mesmo, sugere alguns procedimentos que o pastor ou conselheiro pode tomar nessa difícil tarefa de sujeitar-se ao aconselhamento:

  1. Seja um discípulo de Cristo;
  2. Ande no Espírito;
  3. Cresça na maturidade;
  4. Descubra e desenvolva dons espirituais;
  5. Seja um transferidor de cargas;
  6. Dê uma olhada em você mesmo;
  7. Aprenda a aceitar a você mesmo;
  8. Faça alguma coisa positiva;
  9. Ache um conselheiro;
  10. Lembre se de nosso alvo que é testemunhar a Cristo.

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

[Texto que compõe as provas para o aproveitamento de créditos para o curso de bacharel em Teologia na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina]

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QUAIS OS LIMITES DO ACONSELHAMENTO PASTORAL?

bebes (1)       É muito comum num acidente aéreo, por exemplo, as causas do desastre não são apenas uma, mas várias causas. Em um desastre ministerial ocorre da mesma maneira, pode haver um gatilho, um detonador, a “gota d’água”, mas uma análise ainda superficial constatará inúmeros problemas, que somados numa força sinérgica, destruíram a vida do pastor e outras também.
……..Quando não se aplica uma psicologia séria, equilibrada e multiforme, quando não se prega uma teologia sólida, fundamentada e crucial, quando nos sentimos rei do espaço infinito de nossos (religiosos) mundos numa casca de nós, quando não cuidamos de nós mesmos antes de pretender cuidar dos outros, quando pastores não submetem-se ao aconselhamento mútuo, entre outras tragédias, uma que inevitavelmente ocorrerá será: perder a noção de espaço, ultrapassar os limites do aconselhamento.
……..Um evento que mais exemplifica o que estamos discutindo é quando Jesus no final do capítulo 6 de João, após proferir um de seus discursos mais duros e evangélicos, após mais de 10.000 pessoas com a barriga cheia virarem as costas ao Mestre enquanto ele falava, Cristo vira-se aos Doze e pergunta: “não quereis vós também ir?”
……..Nessa passagem Jesus foi muito enérgico, alguns sugerem que foi agressivo, quando por exemplo, disse que quem não comer de sua carne e beber de seu sangue não teria parte com ele, ou seja, no aconselhamento e na pregação foi firme e contumaz, mas deixou a decisão de segui-lo a cargo da multidão e dos discípulos, sob pena de absolutamente ninguém dar ouvidos ao Mestre e, conseguintemente, deixar de segui-lo e não levar o evangelho as nações através dos limites geográficos e temporais.
……Desde os filósofos gregos na Ágora até aos grandes discursos modernos não há paralelos na história, onde milhares de pessoas simplesmente se levantam e deixam o orador com apenas alguns gatos pingados, e ainda, os discípulos deixam claro que só não foram também porque não havia outra opção. Que momento tenso… ao mesmo tempo que sereno! O exemplo dos “gatos pingados” de Jesus é único: independente se você é pró ou anti-cristianismo, ninguém pode negar: eles mudaram o mundo. Tudo isso porque Jesus não ultrapassou os limites naquela tarde.
……..Em uma tragédia que vários são os fatores que descarrilhados levam a ruína, ao contrário, vários procedimentos planejados e executados corretamente, levarão também ao melhor resultado possível. Penso que assim deve ser o aconselhamento, cheio de: sabedoria, conhecimento, firmeza, serenidade, e, sobretudo: liberdade! Enfim, se os primeiros passos forem dados acertadamente, ainda que deixemos os aconselhados livres, alguns escolherão acorrentarem-se com elos de amor e servirem àquele que é todo o amor que houver nessa vida.
…….Cristo nunca ultrapassa os limites. Viva o Eterno! 

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

[Texto que compõe as provas para o aproveitamento de créditos para o curso de bacharel em Teologia na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina]