VOCÊ JÁ SOFREU O SUFICIENTE?

Enquanto isso, no recreio da universidade…

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SE PODES VER, REPARA.

Euclid

Um colega da Universidade me pediu para corrigir uma redação, que houvera escrito para participar de um concurso. Abaixo minha resposta. Publico, pois, pode ser de algum proveito para quem gosta do assunto ou pretende escrever. O nome do meu amigo é fictício:

“Olá Rogério, como você pediu, dei uma olhada em sua redação. Ficou bom. Boa coesão, não saiu do tema, boa pontuação e ortografia. Mas quero ir um pouco mais longe, tendo seu texto como referência. Escrever é uma disciplina, onde leitura, estudos e a prática da escrita são fundamentais, por isso, se você pretende escrever, dedique-se.

Apesar de ser um texto bem elaborado, ficou no senso comum, você não trouxe nenhum elemento que acrescente algo a discussão, que faça o leitor pensar. É aqui que entra a leitura e conhecimento de mundo, busque colocar exemplos e frases de pessoas que pensaram a respeito, traga uma informação nova, um personagem de filme, literatura, etc. Isso é o que nas artes chama-se: intertextualidade. Enriquece muito.

Como o tema da sua redação é “A nossa sociedade construiu um padrão de beleza: estamos dispostos a pagar o preço?” Dou-lhe alguns exemplos que poderíamos usar na composição de sua dissertação: o número de academias nas cidades é muito maior que livrarias e bibliotecas; os uniformes dos atletas de futebol, volley e outros esportes vem se transformando ao longo do tempo para evidenciar o corpo, o esporte para muitos telespectadores é um mero detalhe; os pais estimulam suas crianças desde cedo a se produzirem segundo o padrão de beleza imposto pela sociedade; o Coringa (da franquia Batman) ao cair num reservatório de ácido, desfigurou a face, e usava uma maquiagem para disfarçar as imperfeições, mas a emenda ficou pior que o soneto. E não vemos muitos Coringas por ai? Esses são alguns exemplos que me lembro, certamente, você tem outros para dar.

Para composição de sua redação, você recebeu pequenos artigos, inclusive, um fragmento da poesia “Receita de mulher” de Vinicius de Moraes. Quando ele diz para as “muito feias” o desculparem, pois, “beleza é fundamental”. O poeta não está falando de padrão de beleza física, mas da beleza da alma, isso fica claro nos versos da poesia que você tinha em mãos: “que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de flor”.

No final faltou você propor um desfecho para a questão, uma ideia, sua opinião, enfim, sendo o tema uma pergunta, sugere uma resposta. E normalmente, dissertação, espera-se que o autor proponha uma “solução” para o “problema”. Como se fosse passar a régua no final de uma equação.

Pelo pouco que lhe conheci, você é uma pessoa introspectiva, observadora e inteligente. Transfira essas características para seus textos, vale tudo, às vezes, ficamos presos a padrões, veem coisas em nossas cabeças, mas não lhes damos importância, pois, nossos filtros mentais nos impedem de fruir. Quem vai a um texto quer ser surpreendido, impactado, quer seja algo novo com um olhar irreverente, ou algo antigo com fundamentos sólidos, que os façam pensar ou simplesmente, abstrair-se.

Você faz Matemática, para muitos um curso frio, que só se vê números e fórmulas na frente, mas sabemos que tudo na vida passa por essa ciência, e que, na Grécia antiga, os filósofos, escritores e poetas eram também matemáticos. Tais habilidades foram indissociáveis durante muitos séculos, devido a: estética, harmonia, reflexão e poesia da matemática. Naturalmente, você sabe disso melhor que eu, o que quero dizer é: tudo na vida é observável, e se é digno de observação, é digno de arte e contemplação.

Pode parecer difícil, concordo que sim, mas está mais ao nosso alcance que pensamos. Da mesma forma que aprendemos a falar, e há pessoas que conosco gostam de conversar, haverá pessoas que gostarão de ler nossos textos, mas para isso temos que praticar a escrita, assim como, praticamos a fala e a desenvolvemos. 

Depois vou lhe passar as recomendações do MEC para as redações do ENEM, vai lhe dar um bom referencial. Irei também lhe passar um link das melhores redações nacionais do último ENEM. Compare os dois arquivos e verá que não estamos longe do que esses alunos prodígios fizeram. Obrigado por confiar-me apreciar sua redação. Sempre que quiser, pode me enviar, será um prazer ler você e trocar “ideias repetidas” contigo. Estou no hospital acompanhando meu pai no médico. Mais tarde, quando chegar em casa, envio-lhe os arquivos.

Mas, se tudo que lhe disse, não ser de nenhum valor, lembre-se apenas do que José Saramago, autor de “Ensaio sobre a cegueira” disse: “se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

Abraço e boas viagens.”

Perscrustantemente,
Lucianno Di Mendonça ©
http://www.plurais.net

NOTA DE ESCLARECIMENTO AO GRUPO LAÇOS TEOLÓGICOS

laços

Olá turma. Desde que estou na caminhada com nosso Senhor, observo que no meio cristão há uma deficiência muito grande de estudo, teologia sólida, reformada, e sobretudo cristocêntrica. Fico triste quando um cristão publica uma mensagem de auto ajuda religiosa ou teologia da prosperidade, confundindo isso com evangelização ou conteúdo bíblico, sendo que ele tem uma Bíblia em casa e não faz uso. Antes, a vergonha alheia ficava somente entre os amigos e familiares, agora, toda a sociedade está vendo isso nas redes sociais e na política. Sei que não é uma percepção minha apenas, muitos aqui tem uma opinião semelhante neste aspecto.

Esta página foi criada na intenção de: juntos, crescermos no conhecimento teológico, ou seja, um grupo de estudos. Em conversas com cristãos no dia-a-dia ouço muitos dizerem que não conseguem ter prazer em ler e estudar, e algumas pessoas que se organizam com esse propósito seria um estímulo para todos, e da mesma forma, cada um contribuir em sua comunidade, ambiente familiar, faculdade, trabalho, escola, etc.

Por falta de observar o uso da razão na espiritualidade é que muitos crentes estão disparando gatilhos psicossomáticos de neuroses, obsessões e até psicopatias, afinal, “deus” fala com ela e seu pastor sem o uso da Bíblia e sem o entendimento de doutrinas fundamentais das escrituras. Para testificar isso, visite um hospício, pergunte a religião das pessoas e como elas entendem a espiritualidade, é claro que não estou generalizando, mas é como um de meus professores no seminário, Rafael Bispo, dizia: “tem muito doido que não está internado, e a religião evangélica tem produzido muitos”.

Lembro-me do que disse o príncipe dos pregadores, Charles Spurgeon: “É estranho que homens digam tanto do que o Espírito Santo lhes revelou, mas pensem e falem tão pouco daquilo que o Espírito Santo revelou a outros”, essa frase é dita evocando o princípio hermenêutico de ouvir o que teólogos, estudiosos e cristãos disseram ao longo da história do cristianismo. Por isso, a dinâmica de um grupo de estudos é um pouco diferente, todos os envolvidos têm que ler os livros propostos e discutir o que se estudou.

A questão é que a proposta fundante do grupo de estudos não pegou. Entendo que, nossa cultura brasileira, estudar em grupo é também tocar as pessoas, abraçar, sentar ao lado, olhar em seus olhos, comer um pedaço de pão, tomar um café, discutindo e rindo num mesmo espaço físico, é o que chamamos de: “ir na escola”. Evidentemente, alguns já tem o hábito de estudar, estes podem dizer o quanto este método é eficaz; outros tem muitas atividades, e por enquanto, não podem fazer um compromisso dessa natureza; e outros já tem outras listas (gigantes) de leituras.

É inegável que tivemos grandes momentos, participações excelentes, quer seja tirando dúvidas, discutindo ou ensinando. Foram perguntas relevantes, comentários pertinentes, opiniões equilibradas e com muito conhecimento, houve também brigas, mal entendidos, desistências, perdão e reconciliação.

Aprendi e pensei muito sobre o que foi discutido aqui. Por exemplo, na descrição da página está como “reformada/calvinista”, hoje, se fosse continuar, alteraria para “reformada” somente, não que eu tenha deixado o calvinismo, pelo contrário, na minha opinião é a linha teológica que mais faz sentido, mas, aprendi também que, a Bíblia vai além disso, e nossa mente não terá as respostas de tudo que gostaríamos.

Alguns de vocês me conhecem, e sabem que gosto de escrever, eu poderia publicar textos que continuo produzindo, mas esse não é o objetivo do grupo. Poderia ainda colocar imagens legais, frases de efeito de teólogos e pastores; tocar em assuntos polêmicos para gerar discussões e curtidas; colocar vídeos motivacionais ou trechos de 3 minutos de pregações; vídeos engraçados; e estimulando todos a fazerem o mesmo, mas isso já tem muito na net/face e não é o propósito do grupo. Não sou contra estas coisas, mas se não houver estudo criterioso e pensamento crítico, pouco ou nenhum será o efeito.

Eu disse “pensamento crítico” e não “opinião crítica”, são duas coisas absolutamente diferentes, chego a dizer que são antagônicas. Algumas pessoas me CRITICAM dizendo que sou (muito) crítico, mas quanto a isso, temos que analisar duas coisas: que tipo de crítica estamos falando, e, qual é a centralidade que as pessoas estão dando a mensagem da cruz. Com tudo que vemos acontecer e tudo o que estão “pregando”, na minha maneira de pensar: um cristão que não é “crítico” não pode ser ortodoxo. E se a ortodoxia está ficando à margem atualmente, não vou compactuar com isso. O “Cristo, e o Cristo crucificado” ainda é o centro da mensagem da Bíblia, dos apóstolos, e da Igreja ao longo dos séculos.

Enfim, estou publicando isto para agradecer o carinho de vocês, e para que saibam e esteja registrado o motivo deste grupo estar inativo, salvo, algumas publicações de alguns irmãos.

Manterei o grupo aberto por um período indeterminado, pelo motivo de dar liberdade, caso alguém queira, consultar textos e publicações antigas, e os novos participantes ficarem cientes do que se passa, ou, passou. E, se futuramente Deus nos levar a envolver num grupo de estudos, o Laços Teológicos poderá voltar.

Valeu meus amigos (as). Os laços de amizade permanecem, como sempre foi, contem comigo na caminhada. Na esperança da volta de Cristo, enquanto isto, sigamos em amor.

Deus abençoe a todos.

Perscrutantemente,
Lucianno Di Mendonca ©
http://www.plurais.net

[Esta foi uma mensagem ao grupo Laços Teológicos do facebook]

CAFÉ COADO NA CUECA

café
CAFÉ COADO NA CUECA

Nesta sexta-feira venha tomar
O poderoso café coado na cueca
Com freiada de bicicleta
Essa é nossa meta
Você enganado e na merda
Depositando aqui seu dinheiro suado
Tome o café borrado e ungido
E pela catinga espante o inimigo
Na consciência, ponha sua mão
Se você é a (Igreja) Universal
Porque o templo de Salomão?
Pare de rejeitar a graça
O evangelho não está à venda
E tampouco, é arruaça.

Lucianno Di Mendonca ©
www.plurais.net

QUE O PENSAMENTO VIRE ROTINA

tristeza

Quando vejo a frase: “que a felicidade vire rotina”, geralmente vem acompanhada de um contexto de viagem ou festa, tenho dúvidas se essa pessoa diria: “que o pensamento vire rotina”, por outro lado, duvido que a tristeza seja constante na vida de quem pensa. A questão não é a tristeza ou a felicidade, mas o que você pensa da solidão, do dia mau, e sobretudo, do sofrimento das pessoas ao seu lado.

Perscrustantemente,
Lucianno Di Mendonça ©
http://www.plurais.net

PARA VER BEM UMA ALMA

Pessoa
O Ministério da Linguagem da Alma adverte: muitos querem conhecer a alma humana, sem primeiro, valorizar as palavras. Inverter essa ordem ou desvalorizar a palavra, causa danos gravíssimos, podendo levar à lavagem cerebral, ignorância, paixões ideológicas e à morte. A relação entre linguagem e alma está (muito) além da poesia.

A frase da imagem é um dos textos expostos no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, na Praça da Língua.

Percrustantemente,
Lucianno Di Mendonça ©
http://www.plurais.net

QUESTÃO DE TEMPO PARA FAZER UMA LISTA

Dedico esse vídeo a dois grupos de pessoas:
1- À quem tem amigos;
2- Aos que sofrem.
Pode parecer óbvio que todos fazem parte de um ou outro grupo, mas isso é um engano fundamental. O que mais tem são pessoas “felizes” e sem amigos.
Portanto, as pessoas à quem dedico essa mensagem, sabem que: ter amigos é raro, sofrer é condição para existir. Como disse Clarice Lispector em A hora da estrela: “Que há de se fazer com a verdade que todo mundo é um pouco triste um pouco só”.

Percrustantemente,
Lucianno Di Mendonça ©
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