SE PODES VER, REPARA.

Euclid

Um colega da Universidade me pediu para corrigir uma redação, que houvera escrito para participar de um concurso. Abaixo minha resposta. Publico, pois, pode ser de algum proveito para quem gosta do assunto ou pretende escrever. O nome do meu amigo é fictício:

“Olá Rogério, como você pediu, dei uma olhada em sua redação. Ficou bom. Boa coesão, não saiu do tema, boa pontuação e ortografia. Mas quero ir um pouco mais longe, tendo seu texto como referência. Escrever é uma disciplina, onde leitura, estudos e a prática da escrita são fundamentais, por isso, se você pretende escrever, dedique-se.

Apesar de ser um texto bem elaborado, ficou no senso comum, você não trouxe nenhum elemento que acrescente algo a discussão, que faça o leitor pensar. É aqui que entra a leitura e conhecimento de mundo, busque colocar exemplos e frases de pessoas que pensaram a respeito, traga uma informação nova, um personagem de filme, literatura, etc. Isso é o que nas artes chama-se: intertextualidade. Enriquece muito.

Como o tema da sua redação é “A nossa sociedade construiu um padrão de beleza: estamos dispostos a pagar o preço?” Dou-lhe alguns exemplos que poderíamos usar na composição de sua dissertação: o número de academias nas cidades é muito maior que livrarias e bibliotecas; os uniformes dos atletas de futebol, volley e outros esportes vem se transformando ao longo do tempo para evidenciar o corpo, o esporte para muitos telespectadores é um mero detalhe; os pais estimulam suas crianças desde cedo a se produzirem segundo o padrão de beleza imposto pela sociedade; o Coringa (da franquia Batman) ao cair num reservatório de ácido, desfigurou a face, e usava uma maquiagem para disfarçar as imperfeições, mas a emenda ficou pior que o soneto. E não vemos muitos Coringas por ai? Esses são alguns exemplos que me lembro, certamente, você tem outros para dar.

Para composição de sua redação, você recebeu pequenos artigos, inclusive, um fragmento da poesia “Receita de mulher” de Vinicius de Moraes. Quando ele diz para as “muito feias” o desculparem, pois, “beleza é fundamental”. O poeta não está falando de padrão de beleza física, mas da beleza da alma, isso fica claro nos versos da poesia que você tinha em mãos: “que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de flor”.

No final faltou você propor um desfecho para a questão, uma ideia, sua opinião, enfim, sendo o tema uma pergunta, sugere uma resposta. E normalmente, dissertação, espera-se que o autor proponha uma “solução” para o “problema”. Como se fosse passar a régua no final de uma equação.

Pelo pouco que lhe conheci, você é uma pessoa introspectiva, observadora e inteligente. Transfira essas características para seus textos, vale tudo, às vezes, ficamos presos a padrões, veem coisas em nossas cabeças, mas não lhes damos importância, pois, nossos filtros mentais nos impedem de fruir. Quem vai a um texto quer ser surpreendido, impactado, quer seja algo novo com um olhar irreverente, ou algo antigo com fundamentos sólidos, que os façam pensar ou simplesmente, abstrair-se.

Você faz Matemática, para muitos um curso frio, que só se vê números e fórmulas na frente, mas sabemos que tudo na vida passa por essa ciência, e que, na Grécia antiga, os filósofos, escritores e poetas eram também matemáticos. Tais habilidades foram indissociáveis durante muitos séculos, devido a: estética, harmonia, reflexão e poesia da matemática. Naturalmente, você sabe disso melhor que eu, o que quero dizer é: tudo na vida é observável, e se é digno de observação, é digno de arte e contemplação.

Pode parecer difícil, concordo que sim, mas está mais ao nosso alcance que pensamos. Da mesma forma que aprendemos a falar, e há pessoas que conosco gostam de conversar, haverá pessoas que gostarão de ler nossos textos, mas para isso temos que praticar a escrita, assim como, praticamos a fala e a desenvolvemos. 

Depois vou lhe passar as recomendações do MEC para as redações do ENEM, vai lhe dar um bom referencial. Irei também lhe passar um link das melhores redações nacionais do último ENEM. Compare os dois arquivos e verá que não estamos longe do que esses alunos prodígios fizeram. Obrigado por confiar-me apreciar sua redação. Sempre que quiser, pode me enviar, será um prazer ler você e trocar “ideias repetidas” contigo. Estou no hospital acompanhando meu pai no médico. Mais tarde, quando chegar em casa, envio-lhe os arquivos.

Mas, se tudo que lhe disse, não ser de nenhum valor, lembre-se apenas do que José Saramago, autor de “Ensaio sobre a cegueira” disse: “se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

Abraço e boas viagens.”

Perscrustantemente,
Lucianno Di Mendonça ©
http://www.plurais.net

NOTA DE ESCLARECIMENTO AO GRUPO LAÇOS TEOLÓGICOS

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Olá turma. Desde que estou na caminhada com nosso Senhor, observo que no meio cristão há uma deficiência muito grande de estudo, teologia sólida, reformada, e sobretudo cristocêntrica. Fico triste quando um cristão publica uma mensagem de auto ajuda religiosa ou teologia da prosperidade, confundindo isso com evangelização ou conteúdo bíblico, sendo que ele tem uma Bíblia em casa e não faz uso. Antes, a vergonha alheia ficava somente entre os amigos e familiares, agora, toda a sociedade está vendo isso nas redes sociais e na política. Sei que não é uma percepção minha apenas, muitos aqui tem uma opinião semelhante neste aspecto.

Esta página foi criada na intenção de: juntos, crescermos no conhecimento teológico, ou seja, um grupo de estudos. Em conversas com cristãos no dia-a-dia ouço muitos dizerem que não conseguem ter prazer em ler e estudar, e algumas pessoas que se organizam com esse propósito seria um estímulo para todos, e da mesma forma, cada um contribuir em sua comunidade, ambiente familiar, faculdade, trabalho, escola, etc.

Por falta de observar o uso da razão na espiritualidade é que muitos crentes estão disparando gatilhos psicossomáticos de neuroses, obsessões e até psicopatias, afinal, “deus” fala com ela e seu pastor sem o uso da Bíblia e sem o entendimento de doutrinas fundamentais das escrituras. Para testificar isso, visite um hospício, pergunte a religião das pessoas e como elas entendem a espiritualidade, é claro que não estou generalizando, mas é como um de meus professores no seminário, Rafael Bispo, dizia: “tem muito doido que não está internado, e a religião evangélica tem produzido muitos”.

Lembro-me do que disse o príncipe dos pregadores, Charles Spurgeon: “É estranho que homens digam tanto do que o Espírito Santo lhes revelou, mas pensem e falem tão pouco daquilo que o Espírito Santo revelou a outros”, essa frase é dita evocando o princípio hermenêutico de ouvir o que teólogos, estudiosos e cristãos disseram ao longo da história do cristianismo. Por isso, a dinâmica de um grupo de estudos é um pouco diferente, todos os envolvidos têm que ler os livros propostos e discutir o que se estudou.

A questão é que a proposta fundante do grupo de estudos não pegou. Entendo que, nossa cultura brasileira, estudar em grupo é também tocar as pessoas, abraçar, sentar ao lado, olhar em seus olhos, comer um pedaço de pão, tomar um café, discutindo e rindo num mesmo espaço físico, é o que chamamos de: “ir na escola”. Evidentemente, alguns já tem o hábito de estudar, estes podem dizer o quanto este método é eficaz; outros tem muitas atividades, e por enquanto, não podem fazer um compromisso dessa natureza; e outros já tem outras listas (gigantes) de leituras.

É inegável que tivemos grandes momentos, participações excelentes, quer seja tirando dúvidas, discutindo ou ensinando. Foram perguntas relevantes, comentários pertinentes, opiniões equilibradas e com muito conhecimento, houve também brigas, mal entendidos, desistências, perdão e reconciliação.

Aprendi e pensei muito sobre o que foi discutido aqui. Por exemplo, na descrição da página está como “reformada/calvinista”, hoje, se fosse continuar, alteraria para “reformada” somente, não que eu tenha deixado o calvinismo, pelo contrário, na minha opinião é a linha teológica que mais faz sentido, mas, aprendi também que, a Bíblia vai além disso, e nossa mente não terá as respostas de tudo que gostaríamos.

Alguns de vocês me conhecem, e sabem que gosto de escrever, eu poderia publicar textos que continuo produzindo, mas esse não é o objetivo do grupo. Poderia ainda colocar imagens legais, frases de efeito de teólogos e pastores; tocar em assuntos polêmicos para gerar discussões e curtidas; colocar vídeos motivacionais ou trechos de 3 minutos de pregações; vídeos engraçados; e estimulando todos a fazerem o mesmo, mas isso já tem muito na net/face e não é o propósito do grupo. Não sou contra estas coisas, mas se não houver estudo criterioso e pensamento crítico, pouco ou nenhum será o efeito.

Eu disse “pensamento crítico” e não “opinião crítica”, são duas coisas absolutamente diferentes, chego a dizer que são antagônicas. Algumas pessoas me CRITICAM dizendo que sou (muito) crítico, mas quanto a isso, temos que analisar duas coisas: que tipo de crítica estamos falando, e, qual é a centralidade que as pessoas estão dando a mensagem da cruz. Com tudo que vemos acontecer e tudo o que estão “pregando”, na minha maneira de pensar: um cristão que não é “crítico” não pode ser ortodoxo. E se a ortodoxia está ficando à margem atualmente, não vou compactuar com isso. O “Cristo, e o Cristo crucificado” ainda é o centro da mensagem da Bíblia, dos apóstolos, e da Igreja ao longo dos séculos.

Enfim, estou publicando isto para agradecer o carinho de vocês, e para que saibam e esteja registrado o motivo deste grupo estar inativo, salvo, algumas publicações de alguns irmãos.

Manterei o grupo aberto por um período indeterminado, pelo motivo de dar liberdade, caso alguém queira, consultar textos e publicações antigas, e os novos participantes ficarem cientes do que se passa, ou, passou. E, se futuramente Deus nos levar a envolver num grupo de estudos, o Laços Teológicos poderá voltar.

Valeu meus amigos (as). Os laços de amizade permanecem, como sempre foi, contem comigo na caminhada. Na esperança da volta de Cristo, enquanto isto, sigamos em amor.

Deus abençoe a todos.

Perscrutantemente,
Lucianno Di Mendonca ©
http://www.plurais.net

[Esta foi uma mensagem ao grupo Laços Teológicos do facebook]

NÃO É DEUS QUE ABENÇOA AS PESSOAS QUE SACRIFICAM NA IGREJA UNIVERSAL?

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O pastor Arnaldo, comediante, publicou um texto meu que fala dos 10 mandamentos do dízimo da Igreja Universal, e isso gerou alguns comentários no blog. Um deles, o rapaz quis saber como entendo o “fato” dos testemunhos de prosperidade da IURD, como se tudo que mostram fosse verdade, querendo saber qual a relação da benção de Deus com o sacrifício de tais pessoas. O leitor pergunta num trecho de seu comentário: “Como funciona isso? Não seria Deus ajudando essas pessoas?” Publico esse texto, pois, essa é a estratégia de marketing que a IURD mais usa. Abaixo minha resposta:

“Obrigado pela oportunidade de esclarecer sobre seu comentário, muito pertinente sua pergunta. Essa é a objeção mais recorrente quando tratamos da “teologia da prosperidade”. A discussão vai longe quando falamos com membros da seita, pois, normalmente, eles deixam o foco do diálogo e partem para subjetividade, repetição de clichês e acusações que você é endemoniado, caído, etc. Irei dividir minha resposta em alguns pontos, penso que é suficiente para mostrar quão grave é o uso dessa estratégia de marketing religiosa. Ouça também a pregação do Ed René Kivitz, que deixo o link no final, é muito esclarecedora sobre a questão.

Vamos aos pontos: sol-e-chuva

1 – GRAÇA COMUM. A Bíblia diz que tudo que é bom vem de Deus, que o sol nasce sobre justos e injustos, diz também que os filhos das trevas são mais hábeis que os filhos da luz. Não estou dizendo que os iurdianos são filhos das trevas, há muitas pessoas lá que temem a Deus, são honestas, etc, só estou dizendo que Deus abençoa até quem é filho das trevas, afinal, Deus é bom para com todos, membros da IURD ou não.

2 – TRABALHO. Um ponto positivo da IURD é que eles estimulam as pessoas a trabalhar e serem empreendedoras, claro que, não fica de graça, o fazem para gerar grande fonte de renda para seus cofres para construção de seu império de poder. Tínhamos um casal de amigos, inteligentes, trabalhadores e talentosos em seu negócio, estavam prosperando muito. O rapaz pegou um dinheiro no banco para pagar funcionários, foi seguido por bandidos, próximo de sua casa, ao receber voz de assalto, sem saber o que fazer e no momento de desespero, houve uma rápida troca de palavras, quando o bandido tirou a arma para atirar, meu amigo estendeu a mão pedindo para não atirar, a bala atravessou sua mão, atingindo e matando-o. Não morreu na hora, deu tempo de sua mãe chegar para morrer em seus braços ensanguentados. Ele tinha um “cartão de dizimista fiel” no bolso da camisa. O pastor havia orientado que era para andar com o cartão no bolso, pois, seria sua proteção contra assalto, bala perdida, etc. quem quer dinheiro

3 – PROBABILIDADE. Apesar de estar diminuindo, a IURD tem milhões de adeptos, é natural que alguns fiquem ricos e outros permaneçam pobres, mas TODOS “na fé” dando tudo que têm. Seria como Silvio Santos fazer marketing do “baú da felicidade” se aproveitando dos que ganharam e desconsiderando a grande massa que perde. A diferença é que Silvio Santos não usa o nome de Deus, não faz a pessoa dar tudo, não diz para deixar de pagar outras contas para fazer uma “fézinha” nas apostas de sua loteria, não diz que TODOS que “apostarem” com “fé” ficarão ricos, e mais importante, o dono do SBT é um homem íntegro. Se você ouviu crédulos da IURD dizendo que ficaram ricos, também conhece outros tantos que nunca colocaram os pés numa igreja e da mesma forma e até mais, se tornaram multimilionários. No Brasil, milhares de pessoas ficam milionárias todos os anos, tem religiosos de várias denominações, ateus, agnósticos, mendigos, médicos, engenheiros, analfabetos, cortadores de cana, vendedores ambulantes, engraxates, etc. Claro que, em 200 milhões de habitantes são poucos, mas se o governo começasse a pegar esses exemplos para dizer o quanto o governo é bom, seria muito fácil de enganar ainda mais. Mind-Control

4 – DISCURSO. Quando a seita universal era pequena seu discurso era “somos bons porque somos poucos”, hoje é “somos muitos porque somos bons”. Ou seja, o marketing muda conforme muda a conveniência. Os pastores e bispos aproveitam da generosidade, pobreza e analfabetismo do povo brasileiro para estabelecer um discurso religioso proselitista, fundamentalista, massacrante e alienante.

5 – INCOERÊNCIA. Conheço pessoas que são pressionadas pelos pastores para darem “testemunho” de como ficaram ricas, mas a pessoa diz: “pastor, eu prosperei, mas meu casamento está uma bagunça, meus filhos nas drogas, etc”, o pastor responde: “minha filha, continue na “fé”, vamos falar somente de “prosperidade”, mas diante das câmeras o pastor força falar de outros assuntos, e, o membro fica com medo de contradizer o “homem de Deus” e acaba maquiando a realidade, mentindo noutras áreas. palha-assada

6 – GANÂNCIA. Muitos testemunhos espetaculares são mentirosos ou exagerados, tenho uma amiga que, no início dos anos 2.000 tinha uma empresa de seguros, trabalhava como escrava para dar dinheiro para a seita, movimentou muito dinheiro e estava constantemente na mídia e nos palcos da IURD, resultado após alguns anos: ficou presa por várias semanas, pois, o marketing e o movimento financeiro de sua empresa foi tão grande que perdeu o controle, confiou profissionais em pontos estratégicos da empresa, foi roubada e enganada, ficou pobre, devendo, e ainda na cadeia por sonegar impostos e falsificar documentos, que achava que estavam sendo pagos e emitindo documentos legalmente. Não estou dizendo que foi culpa da seita, quero dizer que, a maioria dos “testemunhos” são mentirosos e efêmeros, a pessoa não permanece naquele glamour o tempo todo, e quando o castelo de cartas marcadas desmorona, os mercenários e lobos já extorquiram o que podiam, e agora, ninguém fala do resultado final, vão para os próximos “testemunhos” e o resto que se exploda. Conheço outro casal que deu a única FAZENDA que recebeu de herança, foi um escândalo na família e cidade, apostaram que iriam receber muitas vezes mais, mas perderam quase tudo, sobrou alguma coisa, mas nunca mais viram uma poeira do que deram para a seita. Os exemplos são inúmeros, mas os pastores não falam que a maioria vai permanecer pobre ou vai ficar pior, usam os raros exemplos e os potencializam para enganar os desavisados, inocentes e gananciosos. charge_tiririca

7 – ANALFABETISMO FUNCIONAL. O Brasil é um país de analfabetos funcionais. O evangelho de Cristo NÃO TEM ABSOLUTAMENTE nada haver com ficar rico. O povo está tão sem noção e ganancioso que não consegue distinguir a mensagem do evangelho de um discurso de auto-ajuda gospel para ficar rico. Os cursos do SEBRAE e palestras do Daniel Godri fazem isso muito melhor e com honestidade. Ainda que tudo o que se mostra na Universal fosse verdade (que não é), o que isso tem haver com o evangelho de Cristo? As pessoas perderam a vergonha em dizer que estão “buscando” a Deus para ficarem ricas, e ainda alimentam esse discurso, muitos acreditam nisso, e pior, estão girando a ciranda maldita da “teologia” da “prosperidade”. Poderia dar vários exemplos de famílias destruídas, que ao longo do tempo, deram dezenas de “testemunhos” nos palcos da seita e até na TV, e hoje estão destruídas, sem forças para recomeçar, sem apoio da “igreja” e, tidas como rebeldes e endemoniadas pela seita. Para averiguar o que estou dizendo leia o Novo Testamento, não precisa acreditar no que estou dizendo, verás que o que se faz nos palcos e bastidores da IURD é nojento. Ainda bem que você não frequenta a seita, mas vá lá, mais do que ouvir um “pastor” performático e treinado desde criança para fazer as pessoas darem “voluntariamente” todos os bens e dinheiro que possuem, converse com algumas pessoas quando elas descerem do picadeiro, veja o quanto não conhecem nada da Bíblia, o quanto são analfabetas funcionais e como somente papagaiam o que ouvem dos “pastores” e “bispos”. Para cada “testemunho” destes que você citou, pode ter certeza que milhares de famílias estão arrasadas por um dia terem acreditado nisso e até terem sido um desses “testemunhos de prosperidade”. Essas histórias que lhe contei, vistes alguma nos palcos da IURD ou no youtube como as que você citou?

8 – Ouça o audio desse link que explica detalhadamente como funciona esse esquema das igrejas neopentecostais, evidentemente, não são somente as “neos” que fazem isso, mas essa corrente religiosa usa e abusa de tudo que é falado nesse audio: https://www.youtube.com/watch?v=GfpaCkrP5wY

Como eu disse anteriormente, não dedico tempo para falar nesse assunto, mas não posso ser covarde em, conhecendo muito bem esse esquema, permanecer calado, enquanto muitas pessoas ao meu lado estão caindo nesse engodo, se apenas uma delas abrir os olhos, valeu a pena. Se alguém tivesse feito isso comigo a 12 anos, talvez eu seria essa única pessoa que teria aberto os olhos, digo isto, pois, procurei informação entre alguns amigos e em literatura cristã na época, mas não tinha larga informação como hoje, e também na IURD não era tão bagunçado como vemos hoje em dia, está cada dia pior.

Grande abraço e que Deus abençoe você e sua família.”

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

AVISO AOS NAVEGANTES… E ELEITORES

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Sobre política, religião e laicidade do Estado. Também direi meu voto para presidente e porquê. Não que minha opinião seja importante, mas vejo muita intolerância travestida, desconhecimento, mentiras e enganos, por isso, quero aproveitar o momento importante na história do Brasil e falar um pouco de como vejo o cenário político que nos cerca.

Verdade é que a maioria dos evangélicos precisa saber que Estado laico não é Estado evangélico, por outro lado, muitos que têm urticária com a simples menção da palavra religião também precisam saber que Estado laico não é Estado ateu.

Vamos dividir o artigo em:

  1. Laicofobia;
  2. Quem Edir Macedo apoia?
  3. Corrupção é o ato de ir se deteriorando;
  4. Casca de banana e rasteira;
  5. Isaac Newton e Juscelino Kubistchek;
  6. Igrejas pagando impostos e governo cuidando do povo.
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  1. Laicofobia

395033_169322086546972_999989582_nA Laicidade garante a não intervenção de qualquer religião e/ou filosofia no Estado, por outro lado, garante a não interferência do Estado nas religiões ou filosofias, garantindo a liberdade de expressão e isonomia a todos. Conceito de laicidade:

“A Laicidade garante a todo o indivíduo o direito de adotar uma convicção, de mudar de convicção, e de não adotar nenhuma.
 A Laicidade do Estado não é portanto uma convicção entre outras, mas a condição primeira da coexistência entre todas as convicções no espaço público. A laicidade é antirreligiosa? De modo algum. Pode ser-se crente e laico, como se pode ser socialista ou liberal e democrata. A Laicidade não é irreligião: ela oferece a melhor proteção às confissões minoritárias, pois nenhum grupo social pode ser discriminado.
A existência ou a inexistência de um deus são duas hipóteses igualmente inverificáveis do ponto de vista da razão, e igualmente inúteis para a gestão do interesse público. Indiferente e incompetente em matéria de doutrinas e crenças, o Estado laico só se ocupa do que releva do interesse público.”[1]

Fobia é a palavra do momento: homofobia, claustrofobia, antropofobia (medo de pessoas ou da sociedade), biofobia (medo da vida), aracnofobia, catsaridafobia (medo de baratas), hidrofobia. A lista é extensa, mais de 100 catalogados. Mas sugiro mais duas: laicofobia e evangelhofobia.

Os que Reinaldo Azevedo chama de tolerantes intolerantes, são piores que os intolerantes tolerantes, pois, os primeiros, vestem uma máscara, se dizem da paz e do diálogo, mas se alguém discorda, esse alguém é execrado pela pseudo-aceitação tolerante. Com sua postura preconceituosa e antirreligiosa mostram suas garras laicofóbicas. Tal distúrbio caracteriza-se pelo medo da democracia, pois, democracia não é governo onde a maioria subjuga as minorias, mas um governo onde todos tem voz. Veja como o ser humano é curioso, os laicofóbicos se acham paladinos da laicidade do Estado, mas não aceitam a diferença, fogem das contradições, ao invés de discutir os contrários, tentam apagá-los, ridicularizando e calando-os sem que seus opositores intelectuais falem nada. Isso os torna piores que aqueles que criticam.

Os evangelhofóbicos também são interessantes, dizem que respeitam a religião dos outros, mas evitam tocar no assunto. Você os ouve falar de Cícero, Sêneca, Idade Média, Renascimento, Charles Darwin, Karl Marx, Freud e clássicos da Literatura, você gosta, quer saber mais, porém, eles falam como se tudo que existisse fosse somente sua filosofia, doutrinam-no como numa catequese de primeira comunhão da igreja, mas se você fizer uma simples menção de Jesus, se citar um texto bíblico apenas, e falar de alguma beleza e aspecto fascinante da literatura das escrituras cristãs, você é considerado proselitista que está querendo convencê-lo a converter-se. Ou seja, dois pesos e duas medidas.

Ah sim, você acha que não se pode comparar grandes nomes do conhecimento humano e literário com as escrituras cristãs? Estamos empatados, também acho que não, a Bíblia e Cristo são incomparavelmente maiores que qualquer filosofia e literatura. E nem por isso deixo de respeitar e fascinar-me com o que a mente humana produziu de maravilhoso ao longo dos séculos e ainda produz nas artes, filosofia, ciências, cinema, quadrinhos, literatura, teatro, música, astronomia, etc.

Fanáticos estão somente nas religiões? Absolutamente que não! Sou religioso e sinto vergonha do que muitas figuras gospels fazem usando a fé dos ignorantes para construção de seus impérios. Mas na academia, nas universidades, no ateísmo, entre os politizados e escolarizados também há muito fanatismo. Gostaria que fosse verdade que fanatismo existisse somente no meio religioso, seria mais fácil até para ajudar os religiosos que são bitolados que entregam seus cérebros para que manipuladores os lavem.

Homofóbicos e evangelhofóbicos são laicofóbicos, ambos, constituem-se grandes inimigos da democracia. São pacíficos, tolerantes e amáveis… desde que concordemos com tudo o que eles dizem e a respeito de seu ensino digamos: “obrigado por abrir meus olhos, não sei como vivi sem isso antes”. Estou dizendo que todos religiosos e não religiosos são assim? Evidentemente que não. Conheço pessoas dos dois grupos que realmente são tolerantes, pacíficas e amáveis, mesmo quando confrontadas.
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  1. Quem Edir Macedo apoia? Dilma Rousseff e Edir Macedo

Dito isto, vamos a política. Voto em Marina Silva. Na minha opinião é a melhor preparada, em quem confio, com histórico político ilibado com grandes lutas e ideias a favor do brasileiro. Tudo que se diz a respeito de sua pessoa não é sobre algo errado ou questionável que tenha feito, mas, em possíveis erros que pode cometer no futuro, ou seja: suposições; e a maioria por questões éticas; mesmo ela sendo contra e a favor em vários assuntos, como política está aberta ao diálogo. A questão dessa confusão entre a Marina política e Marina religiosa, é uma celeuma criada em torno de sua imagem que não corresponde com a realidade, o que gera mentiras e enganos a seu respeito. O PT está se superando em fazer a campanha mais suja da história atacando sua principal concorrente. Outra campanha como essa somente em 1989, quando Collor e a Globo mancomunaram-se para derrubar Lula.

Inúmeras vezes vi Marina dizendo que, apesar de suas convicções religiosas, vai governar para todos tomando decisões democraticamente, pois, não é candidata a pastora de igreja, mas presidente de uma nação que precisa ser laica, e como cidadã e Presidente íntegra e dedicada quer contribuir com a sociedade e a distinção entre religião e estado. Dizem que Marina vai governar segundo seus princípios religiosos, discordo, essa fala pode ser ódio tolerante. Vejamos outro lado da moeda, sobre militantes antirreligiosos e proselitistas religiosos, alguém que conhece bem e tem voz nos dois lados, pode intermediar o diálogo nessa briga estúpida no Brasil, que tende agigantar-se a cada ano e eleição.

Entre os candidatos que mais tem chances nas pesquisas é a que mais defende o Estado laico. Inclusive entre os evangélicos, boa parcela não a apoia, criticam-na duramente por “ter traído o movimento”. Converse com alguns evangélicos pentecostais e neopentecostais (que são maioria no meio) e certifique-se disso. E aqui identifico o problema, o que a grande massa evangélica manipulada faz e fala (não todos evidentemente) gera medo nos eleitores mais conscientes, medo que a Marina também seja mais uma dessas que são manipuladas por Malafaia, por exemplo. Sem contar que alguns grupos evangélicos escolhem seu candidato por negociatas, como o caso do Edir Macedo apoiar Dilma e usar jogo sujo em sua campanha a favor da petista e contra Marina.

Sejamos honestos, se a Marina ganhar, Silas Malafaia não será ministro nem terá nenhum cargo, mas se Dilma ganhar, a Record estará mais próxima de ser a principal rede de TV do Brasil, continuará ganhando rios de dinheiro vendendo programas caríssimos a sua própria igreja de madrugada, e alguns dos fantoches do Macedo ocuparão cargos importantes no governo. Vide quem foi o penúltimo ministro da Pesca e Aquicultura nesse mandato do PT 2012/14 ocupado pelo candidato ao governo do Rio, Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal e sobrinho de Edir Macedo.

E porque você acha que a Igreja Universal apoia Dilma? Se a candidata do PSB mudasse de opinião de acordo com os votos das massas, será que não teria o apoio do comerciante da fé Macedo? Ora, seria mais fácil para os dois, afinal são evangélicos. Quem na verdade muda de posição e dança conforme a música gospel, Dilma ou Marina?

O assunto religião covardemente é o que mais se pergunta a candidata Marina, pois sabem que isso pode derrubá-la, e se ela disse que é contra o aborto por questões religiosas, mesmo assim, isso não significa que vai governar segundo tais convicções, afinal, ter posições éticas baseadas em religião, é legítimo e faz parte do estado democrático.
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  1. Corrupção é o ato de ir se deteriorando 

Porque discordo quando Dilma diz que seu governo foi quem mais combateu a corrupção e por isso, mais escândalos foram descobertos em seu governo? Por que esse discurso de dizer que “foi quem mais combateu a corrupção” foi milimetricamente elaborado pelo marqueteiro João Santana e não condiz com os fatos? Por definição a palavra corrupção é:

  1. ato ou efeito de corromper;ferrugem_no_barco_1
  2. ação de decompor ou deteriorar;
  3. devassidão de costumes;
  4. alteração das propriedades originais de alguma coisa.

Ou seja, a corrupção começa pequena e vai aumentando, tente a piorar a cada dia, ano, governo. Me entristece ter que concordar com Eça de Queirós: “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”. Algumas exceções mantêm as propriedades originais do que é ser político, os respeito e admiro muito.[2]

Seguindo esse raciocínio, se o partido da Marina estivesse a doze anos no poder, caso candidatasse à reeleição, eu seria contra, para o bem dela e do Brasil. É deprimente ver a presidentA em exercício dando entrevistas, gaguejando, falando bobagens, e tentando justificar o injustificável, seu governo é o mais corrupto da história, não digo ela, mas doze anos de apenas um partido no poder, dá para fazer um rombo “internacional”, a Petrobrás que o diga.

Partindo desse princípio novamente, para o Lula é até melhor a Dilma perder essa, para na próxima ele voltar, mas se a candidata petista ganhar de novo, ficará mais difícil ao nosso “querido” Lula retornar, pois, ficará cada dia mais difícil justificar o injustificável.

O caso do programa de governo e a questão da “mudança de opinião” da Marina quanto ao casamento homoafetivo, não sejamos tão duros, ela foi a única candidata dos três maiores, que pôs a cara para bater, e lembrem-se, ela veio de outro partido, portanto, é compreensível haver divergências no plano de governo entre os dois partidos, e essa alteração do plano e, na sequência Silas Malafaia falar não seria difícil de acontecer, afinal, ele gosta de falar.

Inclusive em tempos passados Malafaia criou divergências com Marina, e esta, não arredou o pé. O histórico da candidata do PSB não corresponde com uma pessoa fraca que muda de posicionamento de acordo que benefícios eleitoreiros, pelo contrário, renunciar a um Ministério do Meio Ambiente não é para qualquer um. Só o fato de ser a ÚNICA entre Dilma e Aécio publicar seu programa de governo já deveria encerrar a discussão, pois, como pode uma pessoa pretender governar um país e não dizer aos eleitores como o fará? E nós ainda escolhendo entre os três? Não! Escolha outro que discute as questões que precisam serem discutidas.

Qual o problema de um cidadão com convicções religiosas ser presidente? Geisel foi luterano, Fernando Henrique ateu, Lula católico, etc, quase todos tinham posições religiosas parecidas com as de Marina. Mil vezes uma cristã laica como presidente que não se dobra à Edir Macedo, Silas Malafaia, políticos aproveitadores, que Dilma Rousseff, que faz aliança com Macedo. O Ministério da Pesca já foi, quais serão os próximos? A coisa pública e neopentecostal está deteriorando e esfacelando-se, nunca estivemos tão perto de um estado laico tão distante. Eles estão batendo a tarrafa, abra o olho meu amigo e minha amiga laica.
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  1. Casca de banana e rasteira winehouse

A Dilma (entenda equipe de marketing do PT) cresceu nas pesquisas nas últimas semanas colocando estrategicamente cascas de bananas e dando rasteira na Marina. Plano de governo que é bom, nada. Explicar porque estamos em recessão, nada. Explicar porque a inflação subiu tanto, nada. Explicar porque outros países desenvolvidos e outras nações emergentes crescem e nós não crescemos esse ano, nada. Colocar a culpa na “crise internacional”, tudo. Aí fica fácil, o que dá certo, louros para a presidente, o que deu errado, a culpa é da crise internacional? Pode isso Arnaldo?

Um amigo me disse que estou correndo risco em defender a Marina, mas pergunto, quem não está? Somente os eleitores da Dilma não correm esse risco, pois, sabemos que seu governo e partido nos traiu, como bem foi dito no podcast Telhacast (ouça aqui). Marina não pode provocar uma revolução, concordo, mas isso não pode ser promovido por nenhum político, a revolução deve vir debaixo para cima, do povo para os políticos, e não o contrário. Para uma revolução, sugiro, uma nova educação, que é mais que uma nova política, mas ai voltamos ao mesmo ponto, uma nova educação depende de uma nova política. E nesse caso, Marina, novamente é a melhor opção no sentido de fazer mais pela educação, confira seu HISTÓRICO e PROPOSTAS.

Ouvi uma pessoa opinando que Marina é a melhor opção, mas não vai votar nela porque “acha” que vai ter problemas de saúde devido a exigência do cargo e por isso será afastada. Quanto a isso nem comento, quero manter o nível do debate.

Devido a todo o cenário sujo e podre do sistema político do Brasil, Marina não é salvadora da pátria, não vai resolver todos os problemas – nem ninguém resolverá em quatro anos, somente o povo através de uma nova educação pode fazer isso, é um trabalho para décadas, que deve começar agora.
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  1. Isaac Newton e Juscelino Kubistchek 95A9C_1

Quem começou com as bolsas e criou o conceito foi o PSDB no governo Fernando Henrique Cardoso, o Lula, politicamente, manteve e expandiu-o, e oportunamente, requereu a geração e criação para si. Quem estabilizou a economia com o Plano Real e deu condições do país retomar a onda de crescimento e prosperidade e deu poder de compra das classes C, D e E foi o governo do PSDB com Fernando Henrique. O Lula apenas inteligente e oportunamente manteve algumas coisas, expandiu outras e requereu a geração e criação para si, e a Dilma usa os dois para dizer que fez alguma coisa.

Outra coisa que admiro na Marina é sua coragem em falar de coisas boas que o PSDB do governo Fernando Henrique fez, e, o que o PT do governo Lula fez de bom. Gostaria de ver a Dilma num debate responder uma pergunta: “Presidente candidata, o PSDB fez algo de bom? Fale dois minutos sobre as qualidades do PSDB.” Resposta: “cri… cri… cri.” Ou seja, não sai nada. Porquê? Porque tem medo de reconhecer o que outros governos fizeram de bom.

A escrita começou ser desenvolvida 3.000 a.C., a roda veio em 2.400 a.C., o alfabeto 1.900 a.C., as embarcações 1.500 a.C, as primeiras polis gregas em 800 a.C, a primeira biblioteca em 700 a.C[3], as grandes navegações no final do século XV da nossa era, a imprensa em 1.495, Galileu confirmou conhecimentos anteriores a ele que a Terra era redonda em 1.564, a primeira constituição no Brasil em 1.824, tudo isso e muitíssimo mais foram contribuições e conhecimentos adquiridos, acumulados e aproveitados a centenas de mãos e cérebros ao longo dos séculos e milênios.

Responda-me, se fosse para de quatro em quatro anos zerar todo o conhecimento tecnológico, científico e humano e começasse tudo de novo, onde estaríamos hoje? Administração pública no Brasil é assim. Políticos e militantes partidários com essa postura são como membros de seitas sectárias que dizem e brigam pelo que dizem: “nós não erramos em nada, nossos inimigos erram em tudo, vamos acabar com eles”. É nesse tipo de político que você confia? Imagine Isaac Newton falando mal de Copérnico, Stephen Hawking jogando os livros de Johannes Kepler no lixo, Juscelino Kubitschek negando os feitos históricos de D. Pedro II. Pois no Brasil contemporâneo é assim, somos meninos mimados chorando a falta (ou excesso) de chupeta. Deprimente.

Uma das maiores misérias das políticas públicas em nossa nação (além da corrupção) é: um desfazendo tudo que o anterior fez e começando tudo de novo, um desfazendo tudo que o anterior fez e começando tudo de novo, e assim sucessivamente. Dessa maneira não dá amigos, assim não temos memória de administração pública, assim não construímos identidade. Enquanto elegermos políticos que não continuam o que de bom seu antecessor fez para também corrigir seus erros, nunca iremos evoluir, sempre um passo a frente, dois para trás. E ainda para propagandear o passo para frente, gasta-se bilhões em publicidade e para reconhecer erros, ninguém sabe de nada.
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  1. Igrejas pagando impostos e governo cuidando do povo 

meninasNão sou militante da Marina, não pedi um voto para ela e nem pedirei, apenas espero que respeitem minha opinião e ponderem-na, assim como, vejo uma enxurrada de opiniões no convívio e redes sociais, sejam petistas, peessedebistas, direita conservadora, peemedebistas, esquerda radical, muitas destas não corresponderem ao que penso, nem por isso deixo de ouvir e aprender com muitos, afinal, a melhor forma de respeitar é ouvir, e, a melhor maneira de desrespeitar é ser indiferente. Não é ruim posições aparentemente irreconciliáveis, pelo contrário, isso pode ser saudável, porém, as maiores discórdias, quer políticas, religiosas ou quaisquer outras, nascem porque as pessoas não se ouvem, apenas “se falam” de si para si mesmas.

Por fim, quem quer que ganhe, que Deus abençoe a todos: candidatos eleitos/não eleitos e eleitores em desesperança. Que religiosos e ateus tenham boa convivência; aproveitadores da fé e manipulados acordem; religiosos e homossexuais militantes se entendam e saibam que tolerar não é concordar, mas tolerância é fundamental; laicofóbicos e evangelhofóbicos aprendam a conviver com os diferentes; que as igrejas e religiões paguem impostos, que desprendamo-nos do dinheiro e digamos a sociedade que isso não é mais importante, afinal, a arrecadação dos impostos será usada pelo governo de uma forma justa que diminua o sofrimento do povo; os assassinos e quaisquer perseguidores de grupos sociais sejam capturados, julgados e presos; os bandidos políticos que roubam o dinheiro do povo, usurpam o direito e o sangue da população e matam milhares de pessoas por não oferecer segurança, saúde e educação vão para a cadeia. Impossível? Também acho, oscilo entre descrença e esperança todos os dias. Mas podemos melhorar, disso não tenho dúvidas…

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

[1] http://www.laicidade.org/documentacao/textos-criticos-tematicos-e-de-reflexao/aspl/ acessado em 30/09/2014
[2] Artigo de opinião onde falo da Copa do mundo no Brasil: https://plurais.net/2014/06/22/o-circo-dos-circos/
[3] Datas aproximadas

CAMPANHA DA MATRACA FECHADA

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Campanha poderosíssima para desimpedir e ficar definitivamente livre “dos caminhos neopentecostais”, “quebrar maldições apostólicas”, “anular palavras proféticas”, fazer um “desenpastoramento total”, “apagar dardos inflamados dos levitas”, sair debaixo da “cobertura espiritual” de manipuladores, “desembaraçar nós cegos” nas mentes feitos por falsos profetas e, principalmente, encontrar o fio da meada do Evangelho puro e simples. Você não pode deixar de participar da novíssima campanha:

Não quer abrir O livro, Feche a Matraca!

Essa campanha não é pra qualquer um. Somente para os fortes na ignorância. Destemidos à Deus. Corajosos em rejeitar as Escrituras. Submissos a falsos profetas. Treme e dá enchurrio só de pensar em confrontar as palavras do “ungido” com as palavras do Cristo. “Espiritual” em amaldiçoar os que saíram do seu guetinho religiozinho. Fiel a tradicionalismo da sua “igreja”.

Você cristão, que não vai ler a Bíblia, bateu o pé, deu birra e disse ao Espírito Santo: “não adianta insistir, não leio, não leio, não leio!” Já que não vai às Escrituras meditar, não vai pesar os ensinamentos que recebe com as palavras do Cristo. Não vai pensar. Diz que crê na Bíblia, mas a palavra inicial, mediana e final em suas decisões é do seu papa gospel. Apenas para você, que quem determina a “visão” de sua “igreja” são os concílios evangélicos denominados “concentração de fé, conferências de poder, milagres, impacto, etc”. Entre o pouco que conhece dos livros sagrados e o muito que conhece das apostilas, jornais e livros de sua religião pagã gospel, vê que há inúmeras contradições grotescas e mesmo assim rejeita a Bíblia em servilismo a ordem do homem pecador e mentiroso. Participe da campanha poderosa: Não quer abrir O livro, Feche a Matraca!

O “propósito é muito forte”, fechando sua matraca vai parar de atrapalhar seus amigos e familiares se converterem ao verdadeiro e puro evangelho. Pare de dizer no futebol que “serve” a Deus. Não fale para as colegas na escola que é cristão. Não solte no trabalho nem de brincadeira que é cristão. Pare de mandar imagens em redes sociais com versículos dizendo: “tudo posso naquele que me fortalece”, “falei com Jesus hoje e você?”, “Sou filho do Rei”, “eu curto Jesus”, “o Brasil é do Senhor Jesus”, “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”, “Deus é fiel”. Arranque hoje o adesivo do carro que diz: “sou dizimista” e “presente do Papai”. Quando alguém chorando à sua frente sofrendo de dor, gemendo pela manifestação de algum filho de Deus, não diga que vai lhe apresentar seu super pastor para receber uma superoração. Se não tem condições de ajudar, feche a matraca!

A campanha será de quantos meses forem necessários, para que Deus abençoe a pessoa em ter um encontro com a Palavra de Deus. E não menos importante, não frequente cultos antropocêntricos nesse período (de preferência nunca mais), não participe de reuniões evangélicas individualistas, onde vê-se de tudo, menos o Evangelho puro e simples, onde se fala de tudo, menos do Cristo crucificado e ressurreto!

Bem amigos, gostaria de escrever algo mais lightdiet, gostoso, leve, talvez poético, mas certas coisas que ouço e vejo me dão azia e má digestão, em você não? (em breve, podemos fazer a CAMPANHA DO SAL DE FRUTAS ENO – CONTRA AZIA E HERESIA).

Se alguém se ofendeu com a proposta, provavelmente está no grupo de risco para fechar a matraca, mas, se alegrou e também acredita que a Bíblia continua sendo e sempre será a ABSOLUTA palavra de Deus e que foi reduzida a um mero acessório da última moda gospel com capas teen e comentários “paitriarcas” e apostólicos como produto mercadológico, mande o link da campanha para aquele amigo pinhel que grudou no seu pé igual chulé para te levar à “igreja dele” porque você é um “derrotado” e precisa aprender o caminho para se tornar um “vencedor”… como ele claro [sic].

Ah, como poderia esquecer? Uma campanha tem que ter versículos bíblicos para dar um ar de espiritualidade. A referência bíblica para nossa campanha de poder é: NENHUMA. Já que não vai ler mesmo. Pelo menos assim não fazemos de conta mais uma vez. E antes que alguém pergunte se estou participando da campanha, respondo: a fiz a alguns anos, fiquei um bom tempo calado. Depois que me tornei um “rebelde” ao sistema religioso neopentecostal e suas ramificações noutros lugares de sua (des)teologia (dis)torcida da prosperidade, a minha vida nunca mais foi a mesma. Hoje sou um rebelde e subversivo graças a Deus.

Fale da Campanha da Matraca Fechada a um amigo(a) que está sofrendo de lavagem cerebral e está dando sinais de despertamento (antes disso não adianta) e não sabe o que fazer da vida. Não “quebre a corrente” senão “perde” a benção.

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

Texto e comentários publicados originalmente em uvasroxas.com em 24/04/2012

SÓ NÃO SE SABE FÉ EM QUE

245-Os Paralamas Do Sucesso - Selvagem 1986

Os Paralamas do Sucesso em Alagados dizem:

A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê

Quanto mais vejo fé nos religiosos, especialmente os declaradamente cristãos, mais gostaria de saber, fé em quê? Que arte desalmada e sem graça é essa de viver da fé que não se sabe fé em que? Só de alguém dizer que tem “muita fé” já é um claríssimo indicativo que essa pessoa não tem a mínima noção do que está dizendo.

Acha que estou exagerando? Faça algumas perguntas básicas, como por exemplo: no que você crê? Porque? Como? O que é fé? Como pode ter certeza do que crê? Qual a razão de sua fé? Quem é Deus? Como Ele se revela a você? Porque a Bíblia é a palavra de Deus? As Escrituras foram adulteradas para atender interesses políticos/religiosos? Como você sabe? Deus se revela somente através desse livro? Porque Ele não se revela noutras literaturas que requerem para si a mesma autoridade? Você ama e deseja conhecer esse livro que dizes ser inspirado por Deus ou nada se interessa por estudá-lo? Porque você sabe que Ele existe? Deus fala com você? Sério? Como? Não fala? Como não? Porque és cristão? Houve um dia em que entendeste algo sobre Jesus que fez total diferença na sua vida ou simplesmente é cristão porque é? O que Jesus quis dizer sobre novo nascimento? Você nasceu de novo? Será? Quem é Jesus? Porque os ateus estão errados e você está certo? Será que não estás enganado em tudo que crê? Nunca sentistes vergonha em abrir a boca para falar de alguém que não conhece? Já sentiu-se aliviado(a) em reconhecer que precisa retirar a máscara, descer do salto do orgulho na festa das vaidades, despir-se da fantasia, se ajoelhar solitário no jardim da humildade à margem das águas serenas da vida e implorar o favor divino?

Diga que as respostas devem ser racionais e objetivas, e não responder todas as vezes que “o pastor Zezinho profeta não sei das quantas disse…” ou “o padre fulano de tal falou…” Alguém pode achar que é covardia e desnecessário sabatinar uma pessoa simplesmente porque disse que tem muita fé, mas, “tenha fé” no que estou dizendo: com duas ou três dessas perguntas o inquiridor desarticula totalmente o “fervoroso”, fazendo-o complicar totalmente o meio de campo. E se ele perder a fé por causa disso é porque nunca a possuiu. Será uma benção de Deus, ele descobrir que nunca teve nada do que sempre disse ter muito. Normalmente, os que tem “muita fé” são aqueles que colocam adesivo no carro: “sou feliz por ser católico”, “amo minha igreja evangélica”, “resultado de malaquias 3:10”, “sou fiel dizimista”, “presente de Deus”, etc.

Um parêntese: (se fizeres algumas das mesmas perguntas, porém invertidas, aos que não creem, a maioria vai embolar o meio campo também). Resumindo: o ser humano é mestre em criticar ou questionar os outros sem averiguar seus próprios fundamentos.

Duvide da sua fé, desacredite de suas certezas, se deixe balançar em seus conceitos! Está com medo de que? Tema a ignorância, essa sim pode acabar com sua vida enquanto estás rindo, tranquilo e dizendo que crê. Para nós que declaramos a crença em Deus, sendo tão maravilhoso, majestoso, infinito, justíssimo, Santíssimo, você não acha que esse assunto é extremamente importante para simplesmente dizermos como Chicó: “não sei, só sei que foi assim”? Como pode um crente em Deus se contentar com respostas superficiais para perguntas que não foram feitas? E se foram, não te preocupas em responder? Como pode um cristão que foi chamado para a renovação de sua mente aceitar pressupostos religiosos sem questionar nada?

Dizem que a Semana Santa se comemora a paixão, morte e ressurreição de Jesus, é verdade, mas e daí? Teatralizar a paixão de Cristo e chorar é suficiente? Ver o quanto o Crucificado sofreu e se compadecer dele. É isso? Sacrificar a si mesmo para subconsciente e religiosamente dizer que seu sacrifício é mais eficaz que o de Cristo ou pelo menos sacrificar-me um pouco para completar o sacrifício de Jesus que fora imcompleto? Mesmo? Tem certeza que o Autor e consumador da fé está feliz com isso? O sacrifício de Cristo não foi suficiente? Se foi, quando você se sacrifica, o que pede a Deus? Acha que tem algum direito porque “fez” algo para o Eterno? Onde Ele requereu alguma coisa de você? Se Deus acha que você poderia fazer algo bom para si mesmo porque enviou Jesus e porque Ele sofreu tanto?

Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone não estão falando especificamente sobre religiosidade, mas de injustiça social. Trenchtown, favela na Jamaica, favela da Maré no Rio de janeiro, e Alagados, favela em Salvador, na lista da revista Roling Stone ficou em 63º lugar entre as 100 maiores músicas brasileiras. Apesar de tudo isso, seus autores não imaginam o quanto sua letra é mais bíblica que muito do que se canta nas igrejas contemporâneas. É um clássico que atravessa décadas, porém, nunca estivemos tão alagados como agora. Quanto as antenas de TV, veja o que George Onwell, escritor que criou a expressão Big Brother disse: “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia, e a mídia controla a massa”. E em se tratando de massa, marcas e mídias religiosas a coisa se complica ainda mais.

Hoje minha esposa estava assistindo à um pregador televisivo, que juntamente com alguns outros desse time de falsos profetas, suas mensagens abarcam o lixo dos lixos do evangeliquês no país do samba, carnaval, futebol, corrupção e por último e não menos numeroso, o país da religião. Pois bem, fiquei observando o excelentíssimo pregador. A cada argumento encerrado com uma frase de efeito arquitetada para aplausos e arrepios, a galera ia ao delírio. É até engraçado sua sútil paradinha para a ovação dos fiéis que não sabem fiéis em que. Em homenagem a essas pessoas que tem um paupérrimo entendimento do evangelho fiz um poema com rimas paupérrimas:

Crentes, mas não sabem crentes em que
Filhos, mas não sabem filhos de quem
Salvos, mas não sabem salvos de que
Obedientes, mas não sabem obedientes a quem

Justamente na semana da páscoa, o evento mais importante do cristianismo, sabe quantas vezes ele se referiu a mensagem da cruz? Nenhuma. A essência de sua conferência (pregação é coisa do passado), como sempre, é vitória, vitória, vitória, quem está no centro é o homem e não Deus, o bem-estar humano, sua prosperidade, tudo para mim, o que posso faturar, o que irei ganhar ao cumprir uma cartilha gospel, tudo eu eu eu, me dá me dá me dá, e ainda se não bastasse a distorção, para que eu receba, tenho que pagar: dinheiro, ou melhor, sementes e ofertas, juntamente com jejuns, frequência na igreja, “obediência” a líderes “ungidos”, a lista é extensa. E o que isso tudo tem haver com o evangelho puro e simples de Cristo? NADA.

(A maravilhosa arte de viver de muita fé, só não se sabe muita fé em que).

Em seguida, disse a minha esposa que iria lhe mostrar um palestrante que não é religioso, mas fala a mesma coisa que esse pastor: entrei na internet e pus um vídeo de um estelionatário do Marketing Multinível, a ênfase de seu discurso era exatamente a mesma do “ilustre” pastor: prosperidade, riquezas, bênçãos, mas para receber tem que ter “muita fé” e trabalho [sic!]. Para isto recitava versos da Bíblia totalmente fora de contexto para um público não menos extasiado.

Com raras exceções, não dá mais para saber a diferença entre um evento de motivação para ficar rico rápido e um culto evangélico, uma coisa sei: ambos deixam seu adorador pinel. Ah, há uma diferença: o segundo deixa o fiel que não sabe fiel em que, zoroca em nome de Gizuis. Pior é chamar isso de “relacionamento com Deus”. A que ponto chegamos minha gente. É cada uma que vejo que certamente até o diabo duvida. Então cheguei a conclusão:

“Um palestrante motivacional que de vez em quando usa versículos bíblicos para fundamentar seu distorcido entendimento sobre a graça de Deus é mais coerente que um pregador/adepto da teologia da prosperidade que de vez em quando usa versículos bíblicos para falar de Cristo”.

Alagados da fé.
Tempos difíceis.

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

Texto e comentários publicados originalmente em uvasroxas.com em 31/03/2013

MAMÃES NÃO DEVERIAM MORRER

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Queridas mamães,

Se existem seres humanos que não deveriam morrer são vocês. Outro dia sepultamos a mãe de um grande amigo. Eu e o Leonardo ficamos até as 4:00h acompanhando o Uendel em sua dor e velório de sua mãe Cleonice. Foi uma madrugada com a morte ao lado que certamente nos acompanhará por até o fim de nossos dias.

A meia-verdade é que a morte me espanta. O rei Salomão disse: “É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos, os vivos devem levar isso a sério!” Enquanto levávamos a sério o dia da morte, tentávamos consolar nosso companheiro, relembrando alguns acontecimentos dos tempos de escola, quando vimos o Aloísio enchendo os olhos d´água…

…de tanto rir… discretamente.

Meu irmão Christiano, Aloísio, Leonardo, Uendel e eu tivemos que nos retirar do salão fúnebre. Direcionamo-nos a um canto inóspito do prédio. Uendel foi junto. Respeitamos profundamente e sentimos a dor do luto dos familiares, não se trata de irreverência, pelo contrário, estar entre amigos num momento como esse, relembrar tempos e rever histórias é uma singela maneira de eternizar quem não queremos sepultar.

Cazuza disse: “só as mães são felizes”.

Se um dia Deus apagasse todas as memórias da humanidade sobre como viemos ao mundo, e abrisse um concurso para premiar a maneira mais inventiva que alguém pode planejar sobre como somos concebidos e nascemos, certamente, as mentes mais brilhantes jamais poderiam imaginar algo mais criativo do que carregar outro ser dentro de si, gerá-lo, e finalmente experienciar o ato de dar a luz. Ninguém nunca perguntou aos recém-iluminados, mas choramos ao nascer porque nos separam de nossa genitora… para sempre. No nascimento somos separados de nossa mãezinha, em sua morte separam-nas de nós.

Só as mães dão a luz.

Como uma pessoa que dá a luz pode ser apagada da vida? Agora entendo quando muitos filhos perdem o brilho nos olhos ao verem suas mães falecendo. Mas nos resta uma imortalidade e uma esperança. Para falar sobre a imortalidade, com vocês o grande educador Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor assim não morre jamais.” As mães são nossas primeiras e muitas vezes, únicas professoras.

Tenho inúmeras lembranças, mas refiro-me especialmente a Vilma que foi secretária na casa de meus pais por mais de 30 anos, certa vez quando ela deixou de trabalhar conosco por um tempo, todos os dias acordava cedo e ia para a esquina e se escondia, somente para me ver passar a caminho da escola, e ali, por detrás de uma árvore, chorava de saudades… aquele “pingo de gente” cabisbaixo, chutando pedras, limpando remelas, com uma pasta pesada nas costas, mal sabia que havia um anjo acompanhando cada passo seu, talvez jamais alguém me ensine amor, sacrifício, humildade e abnegação tanto quanto ela. A Luciana, minha esposa, que foi a primeira pessoa que leu a Bíblia para mim, não posso imaginar quem seria hoje sem aquelas leituras eternas em bancos de praça. A Ana Lúcia que quando não tive ninguém para me ouvir e cuidar de minhas feridas profundas estendeu a mão e tirou-me do buraco.

Acho muito curioso não ter o Dia do filho, pois, seria uma dor insuportável a muitas mães que perderam seus filhos, multiplicar e externar o sofrimento que ela passa todos os dias ao não poder no Dia do filho olhar seu garoto amarrando o cadarço do tênis; não mais ver sua filha chegando em casa; não ouvir seu filho dizendo que a comida está uma delícia; não ter a alegria de pensar que ela está nalgum lugar se divertindo com amigos. Da mesma forma, o Dia do filho não faria o mínimo sentido às mães que dão tudo de si todos os dias aos seus descendentes, que muitas vezes, não reconhecem.

Deveria haver um exame, um tipo de ressonância magnética cerebral para descobrir quanto de cada mãe há em nossa fala, gestos, atitudes e pensamentos. Mas Rubem Alves tem razão, os que morreram imortalizaram-se em nós, ainda que em pequenas partículas de vida. “Mas Lucianno, Dia das Mães, festa, churras, macarronada, música, reunião de família, menino correndo e gritando, vovô segurando a peruca, e você falando de morte?! Não daria para falar noutro assunto?”

– Não.

Não porque a mãe do meu pai já se foi. A mãe da minha mãe também e nem em seu velório pude estar. A mãe do Uendel expirou a alguns dias. A mãe de meus primos José Manuel, Arthur e Maria Raquel, quando falei com ela da última vez estava por entrar na ambulância indo falecer no hospital. A mãe da minha prima Fernanda morreu. A mãe da Bianca faleceu. A mãe da Cárita também. A mãe da Beatriz e do Alexandre da mesma forma. A mãe da Eni experimentou o passamento a 40 anos e até hoje o dia das mães é um dia difícil para ela, e sempre será. A mãe da Camila. Despedi-me da dona Ana numa cama de hospital combinando de um dia reencontrarmo-nos. A mãe do Bolinha e a mãe do Erick faleceram. A mãe de Jesus também.

Falando da esperança que nos resta, com a palavra Agostinho: “Maria tornou-se mais feliz recebendo a fé de Cristo do que concebendo a carne de Cristo.” Não sou eu que estou dizendo, mas o Santo Agostinho, precisa de alguma referência? Algumas frases não são tão interessantes em si, mas da boca de quem saiu, torna-se uma bomba.

Queridas mães, a morte me espanta, mas a vida incriada e sem fim muito mais. Todos os assombros do mundo não seriam suficientes para mover um milímetro do véu que paira sobre os olhos de muitos que ainda não enxergaram a Vida. Assim como Maria, mais felizes seremos recebendo a fé de Cristo: o Deus sobre tudo, o Deus que transcende o nada quando somente nada existia, SENHOR da morte para sempre. Depois que tudo se acaba, todos morrem no final do filme, não há a quem recorrer, essa é a esperança que nos resta.

Eu te amo minha maravilhosa mãe Amália; tenho muito orgulho de você e admiração por quem és; entre as mães que meus amigos tem, certamente você está entre as mais especiais; gosto quando contas histórias sobre mim que só você sabe. Obrigado por dar a vida por mim quantas vezes for necessário. Obrigado mulheres e mães imortais da minha vida. Vasculho, mas não encontro palavras para dizer o quanto sou grato. Estou aprendendo a ver o mundo pela magia de vossas palavras.

Aos meus amigos(as) que suas mães se foram de vós, entristeço convosco; por outro lado, alegrem-se comigo de alguma forma, os olhares de suas mães estão em vocês agora correndo por essas linhas.

Assinam-me:
Amália (minha mãe), Vilma (mãe do Nenezinho), Vânia (mãe da Beatriz), Ana, tia Geralda (mãe do Múcio), tia Vilma (mãe da Andrea), tias Marilu, Maura, Nedy, Desire e Terezinha, Luciana, Profª Silvia, Profª Jucelém, Darci (mãe do Georton), Ana Lúcia (mãe do Leonardo) Francisca (mãe da Fernanda), Vânia (mãe do Diego), Ivone (mãe da Giovana e do Breno), Ana Lúcia, Dona Peixota, vovó Geralda, vovó Gumercinda, Maria (mãe de Jesus). E tantas outras Marias.

 © Lucianno Di Mendonça
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