ESPIRITUALIDADE CRISTOCÊNTRICA

Christ-Carrying-The-Cross-1564                            Pieter the Elder Bruegel: Christ Carrying the Cross 1564

A alguns dias, vindo de Goiânia sentido ao interior de Goiás, onde moro, conversava com um amigo sobre a dificuldade que os cristãos enfrentam quando a centralidade de Cristo na espiritualidade atual. Apesar de não ser cristão, meu amigo frequenta reuniões evangélicas a mais de 50 anos, mas nunca entendeu o evangelho puro e simples conforme a Bíblia o apresenta. Dizia-me que agora, “finalmente” encontrou um lugar, uma religião em que se fala de caridade, amor ao próximo, família, atualidades e temas “relevantes”, e melhor, não fica falando das “bobagens” da Bíblia e que Jesus morreu para nos salvar. Tentava me convencer que minha pregação é ultrapassada demais, radical demais, bíblica demais, que eu devia ter como referencia certo pastor televisivo que tirou o bigode que ensina sobre “família e temas atuais”. Por outro lado, tentei lhe mostrar como tirar Jesus do centro da Bíblia é uma desonestidade espiritual e intelectual com as Escrituras, pois, esta tem uma harmonia, uma linha racional clara, um contexto imediato e geral, onde o foco principal do livro sagrado do cristianismo é a pessoa de Cristo, e este crucificado. Sair desse foco é constituir-se falso profeta, falso pastor, falso pregador. Dizia-lhe que a questão não é a pessoa falar de família, passos para vitória, como conquistar bênçãos financeiras e espirituais, para isso, basta o “pastor” se tornar um palestrante motivacional, militante político, professor, membro de ONG, do Lions, Rotary, etc. Tudo isso é legítimo, e muitas dessas atividades contribuem com a sociedade, mas, jamais essa pessoa poderia abrir a Bíblia, ler um texto e, dizer que está ensinando o cristianismo em nome do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

Isso me fez lembrar de duas frases, uma de Martinho Lutero, outra de Billy Graham, respectivamente: A Bíblia não é nem passada, nem moderna; a Bíblia é eterna”; e, “a Bíblia é mais atual do que o jornal que irá circular amanhã”. Paulo alertou a Timóteo o que aconteceria nos últimos tempos:

Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos, pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder (…) sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade. (1Tm 2.1-5, 7)

Estamos falando de uma dificuldade atual, mas historicamente, esse quadro vem se desenhando ao longo dos séculos, não irei buscar tais referencias para não sair da clareza e objetividade pedida para o texto. Apenas lembrar dois pontos mais recentes:

  1. Revolução Industrial – a efervescência econômica e industrial do séc. XVIII influenciou a cultura ocidental e aos poucos as mentes das pessoas foram sendo moldadas em função do materialismo, indistintamente de classe social. Apenas para citar um exemplo, outro dia, um professor e coordenador de um curso que faço, disse que as pessoas devem escolher suas profissões de acordo que aquilo que mais vai lhes render dividendos, e olha que é uma professor universitário.
  1. Neopentecostalismo – a partir da segunda metade do séc. XX, movimentos religiosos, especialmente evangélicos, começam ganhar notoriedade ensinando que, se a pessoa é filha de Deus, logo, deve fazer por merecer e requerer o melhor de Deus para essa vida, entenda “melhor” como acúmulos e ostentação de riquezas materiais. Tal movimento, no início – como disse o filósofo Sérgio Portella, partia da máxima “somos bons porque somos poucos”, agora mudou para “somos bons porque somos muitos”.

Ano passado fiz 15 anos de caminhada cristã. Os primeiros 10 anos foram tentando aprender o que a Bíblia diz sobre Jesus com pastores perversos que estavam mais preocupados com seu bem estar, conquistas materiais, crescimento numérico e financeiro de sua igreja, alguns até bem intencionados, mas ignorantes. Sou um sobrevivente de uma guerra religiosa e covarde que mata espiritualmente milhões de pessoas no Brasil. O cristianismo tupiniquim majoritariamente está sem Cristo. A cruz virou artigo de moda, acessório de espiritualidade mórbida, relicário de ídolos vazios. Há uma expressão em latim, dita por Erasmo de Rotterdam representando o Renascimento, e dita igualmente por Reformadores como Lutero: ad fontes, que significa: “às fontes”. Veja o início do Salmo 42: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!” Correntes das águas na Vulgata Latina é ad fontes, ou seja, o salmista suspira é pela FONTE que dá acesso a Deus. Se um cristão suspira pelo Eterno, igualmente suspira pela maravilhosa e assombrosa Palavra de Deus. O que sair dessa relação não passa de emocionalismo pedante, piegas, tosco e raso.

E qual é o centro das escrituras? Qual é a maior revelação do amor de Deus? Deixemos Alan Brizotti em seu livro Identidade Cristã citando outros autores dizer:

“A cruz é o símbolo da fé cristã, da igreja cristã, da revelação de Deus em Jesus Cristo. Aquele que compreende corretamente a cruz compreende a Bíblia e compreende a Jesus”. (p. 160)

E Brizotti continua fazendo referência a outro escritor:

“Na teologia histórica cristã a morte de Cristo é o ponto central da história. Para lá todas as estradas do passado convergem; e de lá saem todas as estradas do futuro”. (p. 160)

 Não sem razão Jesus disse: “se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.” Numa época onde o ateísmo militante é uma das ‘religiões’ que mais cresce no Brasil. Num tempo onde o humanismo, materialismo, teologia da prosperidade, autoajuda religiosa, liberalismo teológico, pós-modernismo e pós-cristianismo imperam e atacam o cristianismo ortodoxo por todos os lados, voltarmo-nos para a espiritualidade Cristocêntrica e fazer voz com os poucos que ainda guardam a palavra do testemunho de Deus é vital para cumprirmos nossa missão de pregar o EVANGELHO DE CRISTO a todas as nações.

© Lucianno Di Mendonça
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[Texto que compõe as provas para o aproveitamento de créditos para o curso de Teologia na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina]

VOCÊ É SANTO LUTANDO PARA NÃO PECAR OU PECADOR LUTANDO PARA SER SANTO?

unfair_fight Ontem no seminário teológico, alguém suscitou essa pergunta. Posteriormente, a Luciana a publicou no facebook, o que gerou inúmeros comentários, cada um contribuindo com sua opinião. O que você acha?

Filosoficamente, quando você restringe uma pergunta em apenas duas opções, há possibilidade de incorrer em erro, pois, pode ser que a resposta não seja nenhuma das duas. Essa questão nos encaixota induzindo apenas marcar com “x” como em múltipla escola, e não pensar que pode haver outras perguntas e, portanto, outras respostas. E ainda, de acordo com a sintaxe, inconscientemente, o que fica em nossa cabeça é a palavra “lutando” deixando em segundo plano as palavras “santo” e “pecador”.

Respondendo a pergunta: não sou nenhum dos dois. Tudo bem que há situações que teremos várias escolhas, noutras duas, ou apenas uma, mas no caso em questão não sou nem “santo lutando para não pecar”, nem “pecador lutando para ser santo”.

Ainda que longe do ideal, pois é uma luta perdida antecipadamente, a primeira opção faria mais sentido. Mas a segunda é um desastre total e nega a graça de Deus, as religiões são mãe e pai desta expressão. Mas abaixo vou argumentar que há outra possibilidade além das que foram propostas.

A Bíblia diz que todos somos pecadores. A Bíblia também fala que quem está em Cristo é santo. Isso é uma contradição? Não. Primeiro que quem não está em Cristo não pode ser santo. Segundo, santidade não é o contrário de pecado. Mas o contrário de santo é profano e o contrário de pecado é perfeição, ou seja, alguém pode não ser profano e ser imperfeito ao mesmo tempo. Como disse Agostinho e mais tarde reforçado por Lutero: simul justus at peccator (ao mesmo tempo justo e pecador). Sabendo os contrários das palavras santo e pecado e do que Agostinho e Lutero disseram, penso que afirmar “ser ao mesmo tempo santo e pecador” é só uma questão de lógica. Se puder formular uma frase seria: “sou declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em mim”. Esta é a terceira opção, e fico com ela. Pode parecer que não faz diferença, mas faz. Para quem quer apenas um resposta rápida pode parar a leitura por aqui. Valeu. Até logo. Abraço.

Pesquisadores da Austrália e Canadá[1] descobriram uma bactéria que por sua secreção pode através de reações químicas produzir ouro. Os estudos apesar de não serem conclusivos, estão avançados, e em algum tempo, estudiosos estão otimistas em futuramente produzir quilos e quilos de ouro diariamente a partir dos excrementos de uma bactéria pra lá de especial. Pense: se quando essa bactéria obra produz ouro, imagina o que pode fazer noutras atividades menos “sujas”. Se esse ouro vai ter cheiro não sei, mas se tiver será muito agradável e se feder quem se importaria? E quanto ao homem, pode produzir algo de bom? Não! O fruto de suas melhores obras, justiça e “santidade” a Bíblia diz que para Deus são como trapos de imundície. Se as melhores e mais cheirosas obras do homem são imundas, imagine as piores.

A santidade não deve ser entendida como algo intrínseco ao homem, como se pudesse produzir bondade a partir dele mesmo. Quanto ao pecado Jesus disse: “quando vier o Consolador convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” e continua “do pecado porque não creem em mim”. Ou seja, o problema fundamental do pecado está relacionado em rejeitar Jesus como Senhor. A santidade está relacionada ao conhecimento de Deus.

Uma pessoa que não tem a mínima noção do Evangelho, não sabe quão miserável é, quão morta está, não sabe o propósito da morte e ressurreição de Cristo, não entende a graça soberana, ao ver essa pergunta, simplesmente escolhe se é “santo lutando para não pecar” ou se vai estar do lado dos “pecadores lutando para serem santos”, e fica por isso mesmo. E tudo isso a partir de seus próprios méritos, esforços e justiça. E é exatamente isso que a massa católica e evangélica está tentando causar em seus respectivos seguidores. Ou seja, uma lambança reproduzindo um simulacro de santo-do-pau-oco misturado com pecador piedoso.

Ninguém pode ser mais santo que foi ontem, nem mais santo que seu próximo, nem menos santo que qualquer “santo” vivo ou morto, porque a santidade é proveniente do SANTO e toda d’Ele. A partir do momento que entendo a mensagem da Cruz, depositando em Cristo minha confiança e esperança, aos olhos de Deus não posso ser nem mais nem menos santo, nem ser mais ou menos pecador. Sou apenas simul justus at peccator, ao mesmo tempo justo e pecador. Veja o que em Hb 10:10 diz:

1356034“Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas.” 

Interessante que normalmente associamos o sangue de Jesus com a justificação, o que é verdade, mas neste texto diz que fomos santificados por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo. Observando que o verbo “ir” está conjugado no passado (pretérito perfeito), não ocorre pelos nossos sacrifícios e esforços contínuos presentes ou futuros.

Santidade: diz respeito somente a Deus. Pecado: diz respeito somente ao homem.

Como conciliar isso, melhor dizendo: como reconciliar homem e Deus? O amor de Deus e a resposta. Veja o que diz em 2 Co 5.21: “àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Somente quem não conheceu pecado (Jesus) venceu o pecado. Veja, antes de praticar pecados, sou pecador, isso diz respeito a essência, por isso entender Cristo é mais importante que lutar contra o pecado. Como diz o versículo, só posso vencer o pecado quando “nele” sou feito justiça de Deus.

Quando pratico boas obras, isso é evidência de quem habita em mim que é o Espírito (Santo) e não resultado de quem sou (pecador). Por isso a “luta” se processa na minha mente e não no meu corpo ou nas minhas obras, pois todas elas são más. Quanto a isso vou me retirar por um parágrafo para que o apóstolo Paulo, explique melhor:

“Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado.” (Rm 7.18-25)

Devemos sim lutar para não pecar, e mesmo sabendo que na maior parte das vezes iremos perder (aqui acho que errei, pois Paulo disse que perdia todas), mas se posicionar nessa arena de combate é muito revelador sobre o tipo de coração que temos. Paulo vivia esse embate constantemente: olhar para a absoluta santidade de Deus e enxergar sua absoluta miséria. Mas sua alegria indizível era confiar na justiça substitutiva de Cristo, o Senhor! Ou seja, a luta épica de proporções cósmicas está na dimensão do entendimento da palavra de Deus e conhecimento da pessoa de Cristo, só então vencemos o pecado da ignorância, não por nossas forças e lutas, mas pelo único e exclusivo amor e poder de Deus. Nesse texto Paulo despe a natureza humana tão rudemente que alguns religiosos defendem a ideia que o apóstolo havia escrito isso antes de se converter, mas apenas um pouquinho de interpretação de texto mostra que nesse momento ele já era simplesmente O APÓSTOLO PAULO! Se ele estivesse se tornando “mais santo e menos pecador” bem que poderia dizer isso aqui e se contradizer totalmente, né não?! Veja outra passagem interessante em Hb 9.14:

“quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?”

Óbvio que os “declarados santos entendendo que Cristo venceu o pecado em nós” não são amorais, imorais, antiéticos, maldosos, pervertidos, incrédulos, etc, mas seu padrão de conduta em todos os sentidos deve servir como referência, que isso fique claro. Os livros de Romanos, 1 Coríntios e Hebreus nos dão um bom entendimento quanto ao conceito de “ser declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em nós”. Essa adendo evita que alguns digam: “assim é muito fácil, nada depende de mim? Quer dizer que posso viver dissolutamente e “chutar o pau da barraca”?” Não é isso que estou dizendo, veja Hb 10.29:

“Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, que profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça?”

Quem não valoriza o preço do sangue derramado em favor de si mesmo, no qual foi santificado, está profanando o sangue da aliança e insultando o Espírito da graça. Isso é terrível, pois, pisar nos pés feridos do Crucificado não é uma boa ideia. Olha quão sensacional é esse texto de Ap 22:11: “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda”. Repetindo: seja santificado ainda, não é santifique-se ainda.

Reconciliação, justificação, regeneração, adoção, santificação e glorificação, são conceitos diferentes que compõem a redenção total do homem, não vamos falar de cada um porque não é o caso. Mas assim como na doutrina da justificação, na doutrina da santificação o principio é o mesmo. Na primeira, nossa justiça se fundamenta na fé no sacrifício e morte de Cristo em nosso lugar, ou seja, como deu entender Paulo e disse Lutero: “não nos tornamos justos, mas somos declarados justos”, dai a expressão tomada emprestada do termo jurídico: justificados. (Rm 3: 24-28). Na segunda doutrina não nos tornamos santos, somos declarados santos pelos méritos da vida de Jesus uma vez que ressuscitamos pela fé para uma nova vida juntamente com ele, daí a expressão santificados.

Pode parecer que é uma diferença mínima entre “ser santo e lutar contra o pecado”, e “ser declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em nós”. Mas a não observância desse detalhe é que tem feito-nos perder o foco da mensagem central da Bíblia: CRISTO É TUDO! Por isso tantas mensagens “cristãs” de autoajuda, motivação, vitória, amor, perdão, paz, fé, felicidade, mas todas estas mensagens colocam o homem no centro, pensando que a partir dele mesmo pode ser melhor e mais feliz. Essa é a inversão de valores que chamamos de teologia cristocêntrica para teologia antropocêntrica, a última é uma contradição de termos, porém a que mais se prega e se crê por ai.

Alguns podem dizer que não fomos santificados, mas estamos sendo santificados. Essa ideia de estar num processo de santificação por esforços próprios, no sentido de ser “melhor” ou pecar menos, é uma ideia católica romana que os protestantes assimilaram tão bem ou melhor que seus antecessores. O que podemos e devemos agora é como disse Paulo em 2 Co 3.18:

“E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.”

Ao contemplar a glória do Senhor que é a sua Palavra Viva com sinceridade e entendimento, aqueles que são “ao mesmo tempo santos e pecadores”, estão sendo transformados, não é que eles se transformam, o verso termina dizendo: “a qual vem do Senhor”. Esse é o verdadeiro processo de santificação. Ele(a) não se torna mais santo, mas se torna mais humano. Faz-me lembrar uma charge onde o bonequinho orava a Deus dizendo e batendo as mãos no chão e ao peito:

– Senhor sou tão santo! Tão bom, tão melhor e mais inteligente que as outras pessoas! Mas o que faço para ser mais santo? – Seja mais humano. – Deus responde.

Lembra-se quando no primeiro capítulo do livro de Gênesis, Deus disse: “façamos o homem a nossa imagem e semelhança”? Pois bem, quando com a face descoberta comtemplamos como por espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, não é que estamos num processo de divinização por nossa capacidade, mas num processo de humanização pelo poder de Deus. Quanto mais conhecemos a Deus, mais homem e mulher nos tornamos, e se isso não estiver acontecendo é porque estamos multiplicando apenas religião hipócrita ou filosofia de boteco, bestializando-nos cada vez mais, tornando-nos intolerantes, julgadores, achando-nos mais conhecedores, capazes e melhores que os outros “pobres ignorantes”.

O processo de santificação pode também ser entendido por processo de humanização. Em nosso inconsciente acreditamos que quanto mais santificados somos, mais anjificados nos tornamos, mais isso não é verdade. Na Teologia Sistemática santificação é o processo pelo qual nos tornamos semelhantes a Cristo. Pergunto: vamos tornando-nos semelhantes a natureza do Cristo em sua divindade sem pecado ou em sua humanidade sem pecado? Não tenho dúvidas que esse processo se dá para a humanidade de Cristo, senão quanto mais “santos” mais “deuses” nos tornaríamos. E o que achamos ser um processo de santificação pode na verdade ser um processo de bestialização. Veja Ef 4.13,14:

Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.

Esses dois versículos desmontam essa ideia de ser “mais santo”, pois, diz que a medida que conhecemos o Filho de Deus (não diz ser menos pecador), chegamos a homem perfeito (não diz santo perfeito), e finalmente infere claramente que estamos num processo para chegar a humanidade de Cristo e não a sua divindade. Isso é deixar de ser menino incostante. De maneira que, quer ser santo? Conheça o Santo. Quer virar homem e deixar de meninice? Prossiga em conhecer o Desejado das Nações. A frase “um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus” é muito boa, principalmente por vir de um escritor católico francês do século passado, Thomas Merton.

wonderful-lake-landscape-wallpaperComparo o conhecimento – da santidade – de Deus como um rio incomensurável, você não pode beber toda sua água, mas pode de coração ofegante, dobrar os joelhos vacilantes, apoiar os pés resvalantes e saciar a sede afundando as duas mãos trêmulas e fracas retirando-as cheias de água cristalina e pura. Pode não ir até o fundo a encostar o pezinho em suas profundezas, mas pode fechar os olhos, prender a respiração e entrar de cabeça em sua superfície e deliciosamente mergulhar por sua margem. Mas ao contrário do rio que quanto mais fundo, escuro, sem ar e maior a pressão, em Deus, quanto mais fundo, mais vida, mais claro tudo se torna… e maior liberdade.

Dito isto, pergunto: “você é santo lutando para não pecar ou pecador lutando para ser santo?” ou ainda “declarado santo entendendo que Cristo venceu o pecado em você?” Acha que tem mais opções? A pergunta o encaixota? Ok, medite no assunto e… diga.

Bom, essa é uma discussão milenar, não acho que podemos resumi-la nalgumas frases, nem achar que se esgota e encerra o assunto apenas numa opinião, estou muito longe tanto de enquadrar a questão num artigo, tanto quanto fechá-la na minha mente, assim como, sou um pecador da pior espécie dado o conhecimento que tenho de minha natureza, mas glória a Deus e somente a Ele que nos amou, sofreu, morreu e ressuscitou e vive pelos séculos dos séculos por todos quantos foram designados para assim crer!

Ao Deus que transcende infinitas eternidades, Senhor de ilimitada criatividade, que se humilhou e nos amou incondicionalmente…

© Lucianno Di Mendonça
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Texto e comentários publicados originalmente em uvasroxas.com em 19/02/2013

O MACHADO DE CRISTO

3712_Ocean-versus-Desert-greened-tree-versus-dry-treeOutro dia perguntei a um amigo se ele está frequentando certa denominação Evan-Jélica (não errei, é com J mesmo, de Jegue).
 Ele respondeu alegremente: – Sim. É uma benção, o pastor é ‘isso e aquilo’, fogo puro, orando nos montes, campanhas, jejuando, Deus operando, milagres, respondendo orações e blá blá blá, pirirí-pororó…
– Escuta! Você quer aprender de verdade ou passar o resto da vida só no oba-oba? – Perguntei.
– Quero aprender. – Meu amigo responde esvaziando-se como uma bexiga.
– Vamos à minha casa, você vai começar com um livro que irei lhe dar. – E a conversa continuou… e melhorou.

Iniciei com esse pequeno diálogo para introduzir onde quero chegar: não adianta participar de reuniões se a pessoa não tem interesse em estudar a Palavra de Deus, assim como, se estiver frequentando um terreiro de babaçuê Evan-Jélico, um milhão de vezes é melhor não ir do que aprender a fazer encantamentos com algum xamã gospel em nome de Gijuis, são feiticeiros intelijumentos ensinando encantos, tele-guiando e encantoando os descantiados do pensamento. Muitas vezes, os tele-guiados descantiados do pensar até saíram da religião Evan-Jélica, mas o Evan-Jelicalismo não saiu deles.
No parágrafo anterior, não disse LER, mas sim ESTUDAR. Ler é para quem está sendo alfabetizado. A Bíblia não é um livro de leitura como se lê Chapeuzinho vermelho tentando se safar do Lobo mau (muitos vão a Bíblia com essa idéia e deixam de ir também), mas as Escrituras é o Livro do Soberano escrito ao homem miserável, por isso o mínimo que podemos fazer é estudá-lo e nele meditar, para somente a partir daí avançarmos na pratica do pouco que aprendemos sobre ELE (e nós). Isso exclui, evidentemente, os analfabetos e quem por algum motivo físico ou mental esteja impossibilitado.

Certo dia estava vendo uma colega na faculdade escrevendo numa lentidão incrível, igual a quando escrevíamos em cartilha, não conseguindo coordenar o raciocínio, escrevendo “mim empresta uma borracha”, “agente somos top”, “eu sou menas falante”, etc. Mas, certo dia, chorando muito veio pedir-me ajuda: “quero aprender, mas não estou dando conta.” Passei-lhe um livro para transcrever para o Word. Resultado após alguns meses e anos: por uma série de motivos melhorou e está alegre, principalmente pela disposição e talento de alguns professores em ensinar, mas tem algo que poucos têm: estuda mais que todos da sala. Por outro lado, conheci um rapaz mais novo que eu, que sabe mais teologia que um dia eu possa vir a conhecer. Perguntei-lhe: “cara, você trabalha o dia inteiro, faz faculdade a noite, que horas você estuda?” Sua resposta: “de madrugada e finais de semana”.
O problema é que 75% da população brasileira é ou analfabeta ou analfabeta funcional, esse último, compreende quem sabe ler e escrever, mas não consegue interpretar textos simples ou fazer uma operação matemática básica, ou seja, apenas 1 em cada 4 entende o que lê. Os analfabetos funcionais estão nas universidades também, isso é uma vergonha total!
E quando partimos para a religião Evan-Jélica, o problema vêm a galope, os analfabetos funcionais estão nos púlpitos e, para piorar, muitos de seus “pastores” e “líderes” ensinam exaltando a anti-inteligência, anti-racionalidade, anti-cristianismo autêntico, estimulando a jumentalidade. Claro que há exceções, mas entenda como exceção e não como regra. É muito fácil identificar uma pessoa que não valoriza o conhecimento, mesmo que seu discurso não admita: nunca os iremos ver indicando um livro, falando de um filme que estimule a cultura, falando de uma letra de música que ele(a) ache inteligente, chamando atenção para alguma filosofia interessante, falando das Sagradas Letras com brilho nos olhos e, quando o assunto parte para esse lado, não tem interesse em prestar atenção, fazer perguntas e aprender.

Quando comecei cursar Letras, senti muita dificuldade com as palavras, termos e conceitos próprios do universo das Letras, até abordar uma de minhas professoras e pedir-lhe ajuda, pois, não estava acompanhando seu raciocínio. Você acha que ela abaixou o nível das aulas para que eu a entendesse? Não. Simplesmente se dispôs a ajudar e disse que isso é natural, com o tempo e dedicação nos estudos, o problema seria resolvido, mas teria que ESTUDAR. Dois anos depois, amadureci um bocado, é muito gratificante, terminar um livro de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Dostoievski, sentindo prazer na leitura e, ao final, ter a sensação: entendi um pouco de suas cabeças brilhantes, expandi um pouquinho minha mente! O mesmo processo se dá na Teologia.

Não me interpretem mal, há pessoas que estudam muitíssimo mais que este Zé Ruela que vos escreve, e eles não são melhores que eu, nem quem não estuda é pior que nós, todos são dignos de respeito e admiração, do mais simples ao mais erudito, do mais ignorante ao mais culto. Independente que quem sejamos, desde que estejamos em Cristo, nossa virtude está n’Ele e somente n’Ele.
O argumento que mais ouço quando entro nesse assunto é: “conheço um fulano que conhece a Bíblia como ninguém, mas é mau caráter, malandro, etc.” Primeiro que isso covardia e desonestidade intelectual em não considerar outras variáveis. Segundo, isso é resultado de uma lavagem cerebral trabalhando em função dos poderosos, pois, o dia que o povo tomar conhecimento das coisas, o império religioso começa ruir naturalmente. Terceiro, quantas pessoas em sua comunidade cristã que são tão ruins como o exemplo acima e mal sabem discernir se Filemon está no AT ou NT, ou se Tito é um livro da Bíblia ou um tiozinho que mora na vila? Não é o conhecimento que corrompe o homem, mas seu coração (Jr 17.9), e coração, todos têm, o que vamos fazer dele, e para quem o iremos guardar não está relacionado ao saber que adquirimos, pois, este é neutro em si mesmo.
Em Oseías está escrito: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” Não que eu esteja com a pá virada, mas o dia em que o Soberano vai virar a pá está chegando, o machado de Cristo está posto a raiz das árvores (Mt 3.10-12).
A questão é apenas uma: vamos parar no tempo, deitarmo-nos na cama ou sofá, assistindo novela, BBB, zapeando no zap zap, navegando no face, publicando fotos no instagram, participando de cultos antropocêntricos evan-Jélicos duas vezes por semana ‘com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar’, ou vamos usar nosso cérebro para a glória de Deus?

© Lucianno Di Mendonça
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HOJE É DIA DE MAQUIAR O MADEIRO?

10151862_838695766146553_4293255005374268132_n[Quadro do pintor Tintoretto, de 1565, por nome de “Crucifixion”]

Quais conteúdos você considera essenciais para a prática de um discipulado eficaz? Essa é outra palavra gasta, desgastada e enferrujada ao longo do tempo. Discipulado, na maioria das vezes, é sinônimo de ensinar ao crédulo sobre as “doutrinas” da igreja, sobre a “visão” da “igreja”, sobre princípios de valores da igreja, sobre um código de conduta moral gospel, mas normalmente, não passa de um intensivo lavatório cerebral em moldar os novos adeptos de acordo com os projetos expansionistas imperialistas de algumas mentes carismáticas que substituíram a centralidade de Cristo por uma agremiação evangélica. Certa vez, participei de um “discipulado”, onde o “pastor” lia uma cartilha da denominação e “pregava” as lições para se tornar um “vencedor”, foi uma das poucas vezes na minha vida que fiquei muito irritado, até não suportar mais e desistir passado de hora.
Para responder quais conteúdos considero essenciais para a prática de um discipulado eficaz volto-me a Richard Baxter, pastor inglês puritano do século XVII, que nos meios da ortodoxia cristã é considerado o mais notável pastor da história do cristianismo pós apostólico. Tal título deve-se ao seu meio poderoso de ensino. Mas que método poderoso era esse? Muito simples: o velho evangelho! Não havia novas visões, DNAs, estratégias, moveres ou quaisquer novas descobertas humanas voltadas para “crescimento de igreja”.
Conta-se que num vilarejo com aproximadamente 2.000 pessoas, com a chegada de Baxter, a rotina e estilo de vida da população foram mudadas radicalmente por sua pregação e pastoreio. Ele e outros irmãos tinham a disciplina de visitar todas as famílias da igreja pelo menos uma vez ao ano. Mas a visita não era somente para tomar cafezinho, saber como estava a família, o trabalho ou aconselhar sobre as dificuldades, decisões a tomar e consolar quanto as perdas da vida, mas sobretudo, certificavam qual era o entendimento que os membros daquela casa tinha da cruz de Cristo, do evangelho, do sacrifício de Jesus, da fé, da graça, da glória de Deus, e para isso faziam perguntas cruciais a cada um.
O corretor ortográfico do editor de texto não reconhece a palavra “discipulado” e sugere a correção para “dissimulado”, interessante que é exatamente isso que o movimento evangélico tem feito: dissimular a cruz de Cristo, maquiar o madeiro. A partir de hoje, quando um pastor ou líder que dissimula disser: “hoje é dia de discipulado”, entenda: “hoje é dia de maquiar o madeiro”. Se não queremos cantar mais: rude cruz, imagine ensinar e viver. A cruz não é uma escultura a ser lapidada, uma boneca e ser maquiada, mas para algo assombroso que devemos apontar enquanto estivermos na estrada.
Enfim, penso que o discipulado eficaz é falar as pessoas sobre tudo que envolve a pessoa de Cristo, bem como, quais as implicações da cruz em nossas vidas, mostrando que quem tem Jesus no coração carrega uma cruz nas costas. O discipulado eficaz continua sendo o ensino do velho evangelho, a velha mensagem, a velha pregação, porém a única (como disse Lutero) que pode estrangular o velho homem aos pés do madeiro e transforma-lo em nova criatura.

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[Texto que compõe as provas para o aproveitamento de créditos para o curso de Teologia na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina]

PORQUE FOMOS MEMBROS E OBREIROS DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS

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Raquel, você disse que há muito tempo gostaria de perguntar porque fomos membros e obreiros da IURD, e nós há alguns anos gostaríamos de responder, mas como você (nossa irmã e cunhada), só perguntou agora, ficamos felizes em responder. E como foi uma experiência difícil em nossas vidas, e essa denominação é uma máquina industrial trituradora de consciências, especializada no ramo de fazer linguiça de cérebro de crente neopentecostal, o que era para ser uma resposta simples tornou-se um depoimento extenso. Leia até o fim, será esclarecedor.

Poderíamos falar de casos particulares de pastores ex-tre-ma-men-te mal preparados que nos prejudicaram muito, mas isso é pessoal e feriria o caráter imparcial, racional e abrangente contra todo um sistema nefasto, que é o que mais interessa. Temos amigos na IURD e queremos que entendam que não estamos falando contra pessoas, mas contra um esquema religioso manipulador. Estamos amparados pelo direito de liberdade de expressão garantido pela Constituição Brasileira, lei a qual a IURD tanto usa e abusa.

É bom que se entenda: tanto na IURD, quanto em qualquer igreja ou religião há pessoas integras, honestas e tementes a Deus, que estão procurando relacionar-se com Ele e ajudar as pessoas. marionete

Vai ser difícil alguém da IURD ler esse texto, pois a blindagem é bem feita. Na Universal, quando alguém pede orientação aos pastores sobre leitura bíblica, a recomendação (primeiro te olham torto) é ler um ou dois versículos por dia, pois “informação demais não transforma a vida de ninguém”. Mas o jornal semanal e livros da seita iurdiana os membros têm que comprar e devorá-los com a farinha seca da lavagem cerebral, e ainda comprar vários livros de suas editoras para “evangelizar”. Mostrando claramente que a palavra dos papas iurdianos está acima da palavra de Deus. Incoerente? Não. Fácil de manipular, apenas.

Inclusive, seus membros não podem ler livros e ouvir pregadores de outras igrejas, filosofias ou quaisquer literaturas, pois “se fizer isso o demônio que está no autor ou pregador passa para você” e também que “não se pode misturar dois vinhos”, mas na verdade o que está por trás é: “você não sabe distinguir o certo do errado, a mão direita da esquerda, não sabe pensar, e nossa mensagem é tão insustentável, anti-bíblica e uma afronta à inteligência, que se ouvires à outros, vai te libertares dessa escravidão, fique quietinho ai, deixa que eu manipulo você”. Mas há muitos nessa denominação que estão em grandes conflitos e sabem que algo está muito errado, e querem saber o que é.

Eis os motivos pelos quais fomos membros e obreiros da IURD e ao final alguns comentários:

1 – Ingenuidade, desespero, ignorância e preguiça mental. Esses são os principais fatores. Por esse motivo entendemos que erros não se explicam, mas se arrepende e muda o comportamento. Mas o que vamos dizer aqui pode ajudar quem está escravizado nessa seita.

2 – Falta de opção. Não sei se você se lembra, mas antes de irmos para a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) vínhamos de outra dificuldade muito grande noutra igreja, estávamos totalmente desguarnecidos quanto a exemplos de caráter cristão e ensinamentos bíblicos. O Evangelho está cada dia mais escasso onde menos deveria estar: nas igrejas. Claro que isso não justifica, mas em nosso universo neopentecostal (17 anos atrás), com o que conhecíamos naquele momento, achamos ser a melhor escolha. Se soubéssemos um pouco do que sabemos hoje: fé reformada, princípios de interpretação bíblica, etc, certamente teríamos evitado essa tragédia. Como gostaríamos que alguém nos ensinasse as doutrinas da graça quando começamos. O que tentamos ensinar hoje, tivemos que aprender sofrendo, nos destruindo e… sozinhos.

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3 – O tempo todo em que lá estivemos, procuramos estar próximos de pastores que amam a Deus e sua palavra (difícil, mas existe, apesar de sinceramente enganados). Poderia lhe apresentar um ex-pastor, e como foi traumática sua saída dessa Sinagoga de Satanás e como isso afetou sua vida. E outros tantos que saíram. Quem conhece sabe que o rodízio de membros, pastores e obreiros é altíssimo.

4 – A Bíblia diz: “Quem é injusto, faça injustiça ainda, e quem está sujo, suje-se ainda, e quem é justo, faça justiça ainda, e quem é santo, seja santificado ainda.” (Ap 22:11). Quando entramos, o sistema já estava bastante corrompido, mas como diz o versículo, o nível de corrupção aumenta cada vez mais, assim como a justiça e santidade. Para você ter uma ideia (alguns devem se lembrar) há 20 anos havia um programa em suas rádios (Aleluia) que se chamava: “estudos bíblicos”. Hoje sei que eram ruins, mas ninguém pode dizer que não ajudava muita gente. Logo no início da compra da Record retiraram esse programa da grade de programação das rádios, pois, não dava audiência e consequentemente, lucros. Havia também o “Santo culto em seu lar” na TV, e hoje? Há quinze anos não existia na Record os programas de baixíssimo nível moral e intelectual como se vê hoje, e pode observar que as coisas aconteceram gradativamente, e assim será. Há relatos de pessoas que conheceram a IURD no início, há 25, 30, 40 anos atrás, era bem diferente.

5 – A venda do engano foi caindo aos poucos, e sempre fomos “rebeldes” ao sistema, nunca nos submetemos àquilo que sabíamos que era contrário a Bíblia e a uma pessoa que minimamente parasse para pensar. Tivemos diversos problemas com pastores de seus próprios ventres, fomos chamados várias vezes para “conversar na salinha de atendimento”, são inúmeras histórias, que não cabe relatar agora. Mas uma que acontece muito é usarem versículos fragmentados como o de 2 Cr 20:20 que diz: “crede nos profetas e prosperareis”. O contexto do texto é: “E pela manhã cedo se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; e, ao saírem, Jeosafá pôs-se em pé, e disse: Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém: Crede no SENHOR vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperareis.” Algumas observações claras sobre esse textoLiberte-se_da_Manipulacao_dos_Evangelicos

a) Está falando de estratégia guerra e não para ficar rico.
b) Não foi um direcionamento religioso, mas militar.
c) A mensagem era para Judá e moradores de Jerusalém, e não para os brasileiros, outro povo ou uma igreja.
d) Foi antes de Cristo.
e) Não há mais profetas como no Antigo Testamento.
f) Os profetas de hoje são os que ensinam as Escrituras.
g) Os profetas de hoje não recebem direção direta de Deus, a não ser quanto ao que já está escrito.
h) Os profetas do AT não podiam errar em absolutamente nada em suas profecias, se de mil errassem apenas uma, era falso profeta e deveria ser morto. Isso complica muito embusteiro por ai, não é mesmo?
i) Os profetas do passado e de hoje não são mercenários e enganadores.
j) Tirar um texto bíblico de seu contexto é o artifício principal das seitas e heresias. Afinal, falar em Jesus, não significa que está falando o que Ele disse.
l) Em 1 Jo 2:27 diz: “Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine, mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou.” Quantas vezes você viu alguém pregando isso? Este texto dá muito “pano pra manga” no meio evangélico, mas está escrito, fazer o quê?

Poderíamos fazer isso com várias distorções, por exemplo, a “fé de Gideão” (Jz 6), o boi não era de Gideão, mas do pai, e a questão não era o valor financeiro do boi, mas o sacrifício levítico que se exigia no AT. Quantas vezes Gideão “foi buscar o boi” em toda sua vida? Uma. E a “fé de Abraão” (Gn 22) da Fogueira Santa? Você já viu algum pastor iurdiano dizendo que Deus não requereu o sacrifício até o fim? Não viu. Algum bispo já disse que Abraão fez o sacrifício uma vez na vida apenas, e não duas vezes ao ano? Não disse. Abraão que já era riquíssimo (como diz a Bíblia) porque não sacrificou suas fazendas? Porque Isaque é um tipo (representação) de Jesus, ou seja, nada haver com ficar rico. Quem proveu o cordeiro, Deus ou Abraão? Deus. Quem é o Cordeiro hoje? Jesus. Aqui a distorção é gravíssima, pois, quando alguém por motivos de negociatas com o divino e manipulações do sagrado, oferece um “sacrifício” em dinheiro esperando algo em troca, está rejeitando o sacrifício santo, perfeito e imaculado de Cristo em seu favor, dizendo que o sacrifício de Deus em Cristo é insuficiente, e o dela é melhor.

Aliás, Jesus morreu por pessoas e não por bens materiais e “bênçãos” desse mundo. A trupe teatral e circense nesse ponto é sútil, eles fazem uma distinção nonsense entre salvação e conquistas, dizendo que para ser salvo é só crer, e para conquistar é necessário lutar e “pagar o preço”. Mas responda: que preço você pode pagar para o Senhor do Universo que O torne seu devedor? Você pensa que tem o poder de dar algo a Deus que faça você merecedor de alguma coisa?

6 – Achávamos que os bispos não sabiam dos absurdos cometidos pelos pastores, certa vez escrevemos uma carta a um bispo relatando tudo que acontecia, você acha que resolveu alguma coisa? Nem te conto o que aconteceu, salinha do atendimento foi pouco…

7 – Como “estudamos” na principal “escola” do Brasil tais indisciplinas: como NÃO crer, como NÃO fazer, como NÃO estudar, como NÃO ler, como NÃO pensar, como NÃO estudar a Bíblia, como NÃO amar a Deus, como NÃO amar sua Palavra, como NÃO respeitar as pessoas. Hoje quando vemos heresias, distorções e manipulações para todo lado, tudo é tão claro. Ao ver tantos amigos e conhecidos sendo enganados em religiões e igrejas Neopentecostais, Pentecostais e até Reformadas, com suas “visões” “revelações”, “profecias e profetas”, histerias coletivas, atos proféticos, apóstolos, moveres do espírito, “ungidos”, cobertura espiritual, obsessão por crescimento numérico, ênfase em conquistas materiais e financeiras, obediência cega à líderes, heresias, distorção do foco principal do Evangelho, moralismos, etc, que, não fosse pelo estudo sério da Bíblia (principalmente) e, pelas experiências que vivemos, não poderíamos ajudá-las e, ter segurança da fé e da razão. Claro que continuamos nenens diante de Deus, sua plenitude e majestade, mas essa consciência de nossa incapacidade total é justamente a maior maturidade que adquirimos.

8 – Por que fomos obreiros? Pelo mesmo motivo que nos tornamos membros. Quem lê a Bíblia e os Evangelhos logo vai descobrir que o cristão naturalmente quer ajudar quem está sofrendo e levar A mensagem da cruz às pessoas, porém, em nossa ingenuidade e ignorância, essa foi uma forma que encontramos de fazê-lo.

Enfim, a questão não é criticar por criticar, mas limpar a sujeira e mal cheiro que eles fazem nas mentes das pessoas que estão dentro ou saíram e estão feridas, desiludidas inclusive com o Evangelho (que nada tem haver com isso e nunca foi pregado lá). O problema é que Igreja Universal do Reino de Deus fez escola, e por seu crescimento numérico e financeiro (que hoje não é lá essas coisas), outras igrejas e religiões copiam-na também. Ou seja, a IURD é referência em lavagem cerebral, manipulação e distorção das Escrituras, e outras estão no mesmo caminho, com fachada de cristã.

Desde que compraram a Record com dinheiro de ofertas do povo para outro fim (diferente do que vemos), a emissora de TV se constitui no maior cooptador  da seita. É uma via de mão dupla: a IURD é o principal mantenedor da Record, pagando programas caríssimos de madrugada, não fosse por esse motivo, tais programas também não existiriam, propagando esse “evangelho” da prosperidade pestilento e pernicioso.

Há pessoas que irão gostar do que escrevemos (outras odiar), mas infelizmente muitas continuam no mesmo sistema enganoso e corrupto com outras roupagens e nomes religiosos/denominacionais, isso nos entristece, afinal, o que não tivemos de ajuda e orientação, muitas dessas pessoas tem a nós e tantos outros (com o advento da internet), e livros também, aliás, elas tem o Livro por Excelência debaixo do braço, mas não o usam para transformar seus cérebros e corações, mas fazem O Livro de armário de envelopes de campanhas.

É impressionante como muitos permanecem 10, 30, 50 anos numa igreja (católica ou evangélica) e não sabem explicar porque são cristãos, quem é Jesus, porque Ele morreu, dizem apenas para as pessoas frequentarem suas reuniões religiosas e assim “parar de sofrer”. Dizem nas entrelinhas que, Jesus é mágico ou gênio da lâmpada que dá tudo o que queremos, basta fazer parte da trupe e participar ativamente dos espetáculos.

Não entendem e não podem dar a razão de sua fé a quem pede, sabem apenas defender apaixonadamente sua religião, se colocam como irrestritos defensores de líderes religiosos pecadores e inescrupulosos, dão testemunho de “bênçãos” como conquistas materiais, de saúde e família (na maioria das vezes mentindo, apenas para fazer parte do show), sem saber que isso nada tem haver com o verdadeiro testemunho que Cristo se referiu. Nada sabem sobre: justificação somente pela fé, sacrifício substitutivo de Cristo, redenção, nova aliança, inspiração da Bíblia, graça de Deus, fé reformada, etc. Alguns ainda terão a pachorra de responder ao ser perguntado pela Reforma: “acaba semana que vêm, ai mudamos para a casa reformadinha, Deus é fiel porque somos dizimistas“. Isso é deprimente!

marionete2Iurdianos e neopentecostais, vejam a gravidade disso aqui: em Ef 5:11, Paulo diz: “Não sejais cúmplices das obras infrutíferas das trevas; antes, condenai-as”. Se você diz que noutros lugares também têm problemas (não estamos falando de problemas, mas de um sistema religioso que nada tem de evangelho), e acha que permanecendo nesse engano está agradando a Deus, de acordo com esse verso (e outros), está fazendo o contrário: participando (cúmplice) das obras infrutíferas das trevas. Muitos dizem: “não me importo com o que eles fazem com as ofertas, sendo eu fiel é o que importa”. Não é assim não meu amigo e minha amiga, vai ver o que significa a palavra cúmplice no direito penal. Pense: o que você acha que está agradando a Deus, está frontalmente desagradando-O. Meu amigo e minha amiga, ser fiel a um sistema religioso que é infiel a Deus e as Escrituras (que está acabando com milhares de famílias) você acha que isto está certo, não acha que isso é o cúmulo da lavagem cerebral?! Simmmmmm ou nãããoooooo?!

Sabemos que há milhares de pessoas bem intencionadas e tementes a Deus em sistemas manipuladores e massacrantes como esse, nosso respeito e condolências a elas, pois, precisam de muita ajuda. Inclusive, muitos membros da IURD sabem que tudo isso, e muito mais, mas pelo terror psicológico que os pastores e bispos fazem em suas mentes, não têm coragem de sair e condenar as obras infrutíferas das trevas, têm mais medo das maldições diabólicas, que confiança na graça de Deus e entendimento da dívida que Cristo pagou na cruz de uma vez por todas.

Dizem que “é isso o que o diabo quer, somos perseguidos mesmo, é porque estamos na guerra contra o inferno, os dissidentes são endemoninhados, eles tem maus olhos, o “próooooprio” bispo é de Deus e por isso não pode estar errado, as outras igrejas são fracas, derrotadas, o importante é salvar as almas, o diabo sabe mais a Bíblia que qualquer ser humano, etc”. Quanto a salvar almas, isso só acontece quando A mensagem da cruz é pregada, coisa que não acontece na IURD. Leia o Novo Testamento e confronte com a pregação e prática dessa seita, verão facilmente, repito: facilmente, que não tem nada haver uma com a outra. Aliás, já viu que majoritariamente seu discurso é de textos do Antigo Testamento sem nenhuma contextualização e interpretação?

Por esse motivo, Raquel e a todos quantos estão lendo esse texto, vocês conhecem pessoas que ainda estão na IURD (ou similares e cópias neopentecostais), envie e-mail, poste no facebook, imprima e entregue. Alguns irão ficar com ódio “em nome de Gisuis”, a maioria não irá ler e falará o que não sabe, outros lerão mas não prestarão atenção, não tem problema, alguns podem abrir os olhos, como tem acontecido, esse texto está noutros blogs e grupos do facebook, e tem ajudado muitas pessoas.

Pela graça de Deus estamos aqui, contentes em Cristo. Vimos inúmeras pessoas ficando pelo caminho, suas vidas foram destruídas, perderam tudo que tinham, inclusive, famílias, o que é mais doloroso. Por muito tempo nos culpamos, sentimos tristeza e vergonha por fazer parte de um sistema tão podre e degradante. É como sair de uma guerra e ver vários amigos morrendo nos campos de batalha, caindo ao nosso lado e não poder fazer nada, pois estávamos também cambaleantes, feridos e moribundos. Hoje estamos aqui (inteiros e restaurados) para contar a história. Por isso, hoje entendemos, como disse o poeta Fernando Pessoa: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Nossa intenção não é falar mal nem causar polêmica, mesmo porque, falar a verdade é diferente de falar mal. Não levantamos bandeira contra essa Sinagogas de Satanás ou outras várias que têm por ai nas TVs com fotos de seus líderes na porta da igreja, mas como conhecemos bem esse meio, resolvemos falar, e falar somente aqui de forma definitiva. Não estamos por conta de entrar em grupos de dissidentes e discutir, ficar escrevendo ou dando entrevistas sobre esse passado triste, mesmo porque, os membros da IURD têm a Bíblia e seus cérebros, se não ouvem nem um nem outro, pouco podemos fazer para mudar alguma coisa.

Aos que nos ouvirem, querem sair desse meio, mas não têm forças, adianto: é mais confortável permanecer no engano, mas a partir de agora, você que desconfiava que havia algo muito errado, não terá paz enquanto não for corajoso(a) em negar essa mentira. Saiam urgentemente desse lugar e nem tentem conversar com eles, vocês serão amaldiçoados e conquistarão inimigos odiosos, não que isso possa afetar alguém, a Escritura diz “Agora, portanto, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1), assim, mesmo muitos querendo sair, ainda estão psicologicamente dependentes desses lobos devoradores.

A maioria dos pastores são pessoas simples e bem intencionadas, porém, sem instrução e escolaridade, e se têm escolaridade, isso não foi suficiente para deixarem o analfabetismo funcional. Isso facilita a lavagem cerebral, ou seja, eles foram manipulados para manipular, desta forma, um lobo “do bem” continua sendo lobo. Sair de uma lavagem cerebral é uma das coisas mais difíceis que um ser humano pode fazer, por exemplo, leia o livro literário 1984, de George Orwell, e constate a imensa oposição que o protagonista enfrentou, sendo ele mesmo seu maior inimigo.

A maravilhosa e principal mensagem que queremos contar é a história de um judeu que morreu crucificado, ressuscitou e hoje vive eternamente naqueles que n’Ele depositam sua total e absoluta fé e esperança. Não há nada que pode anular o poder do sangue de Jesus, não há nada que possa nos separar de seu eterno amor. Queremos sim, contar uma história, o nome dessa história é: JESUS, O CRISTO DE DEUS. O Salvador, que há de julgar os vivos e os mortos. CORDEIRO DE DEUS! Diante do qual todo joelho nos céus, na terra e no inferno hão de se dobrar! NOME SOBRE TODO NOME. Renda-se a esse nome… hoje.

Lucianno Di Mendonça e Luciana Salatiel ©
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Texto e comentários publicados originalmente em uvasroxas.com em 14/12/12

DESCRUCIFICADOS

supernietzsche    “O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de “Deus sobre a cruz”. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela?” Essa é a frase que John Stott começa o terceiro capítulo do livro: “Por que sou cristão”. Leitura interessantíssima. Nada novo. Velha, batida e retorcida mensagem: a cruz.
Há algum tempo tenho perguntado a algumas pessoas porque elas são cristãs. É cada resposta, cada pérola, cada “teologia”, gerando-me alguns sentimentos curiosos: medo, indignação, risada, tristeza. No seminário perguntei à alguns colegas, e, foi onde deu vontade de chorar: de dez alunos apenas dois incluíram a cruz em suas respostas, e olha que nenhum dos outros motivos fundamentais pelos quais deveriam ser cristãos o grupo dos oito colegas responderam corretamente.
Queria saber de um cristão “descrucificado”: se a cruz não cabe em sua conversão e cristianismo, onde ela fica além do temporal e geograficamente distante gólgota? Onde está a cruz além de pregada em paredes, moldada em pingentes, estampada em camisetas, representada em símbolos místicos, exposta em relicários religiosos e souvenirs gospels de campanhas de prosperidade?
Lutaram milênios para destruir e aniquilar a Bíblia, não conseguiram. No último século inverteram o jogo, de um lado, o ateísmo militante – que se ramifica em várias vertentes, desacredita e ridiculariza as Escrituras, de outro, os evangélicos que dizem nela crer, mas são muito mais ignorantes de seu conteúdo e sua mensagem principal que as próprias pessoas que dela descreem. Conhecendo os dois grupos, afirmo, sem termos de comparação, os evangélicos estão mais firmes em seu propósito anticristo que qualquer outro grupo. No final das contas, ateísmo “religioso” e a massa evangélica “atéia” vestem a mesma camisa. Isso é espantoso!
Charles Spurgeon disse: “o mais maligno servo de satanás que conheço é o ministro infiel do evangelho”. A teologia descrucificada cria super-homens tolos e não seres humanos cientes de quem são. Teologia da cruz seria pleonasmo, afinal, toda teologia bíblica gira em torno da pessoa de Jesus e este crucificado, contudo, diante de como as “teologias” têm desfigurado o evangelho no Brasil, surge a extrema necessidade que voltemos as Escrituras e, uma vez, retornando, cavar cavar e cavar as Santas Letras com uma pá e picareta nas mãos e uma cruz fincada no peito, para finalmente pregar a Cristo crucificado, escândalo e loucura para os poderosos, sábios e religiosos desse astro chamado Terra.

© Lucianno Di Mendonça
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