SÁBADO OU DOMINGO?

IGREJAPara muitos, o que propomos a reflexão agora faz pouco e nenhum sentido, mas para milhões e milhões de cristãos é uma questão importante em sua religiosidade: há um dia específico da semana para adorar a Deus? Seria Sábado ou Domingo?

Outro dia acompanhei parcialmente um debate num site e foi um dos artigos mais comentados chegando a mais de 300 comentários até o dia que entrei pela última vez, mas o foco era se o dia correto é o primeiro ou o sétimo dia da semana. A pouco mais de um ano, ganhei de uma pessoa um DVD com 30 pregações de um pastor de 30 minutos cada, e o tempo todo fazia uma ginástica teológica mirabolante para convencer os ouvintes que devemos guardar o sábado e, não fazê-lo constitui-se pecado grave, às vezes, os argumentos eram tão grosseiros, a religiosidade tão agressiva que chegava a ser engraçado, inclusive, dizendo que das tábuas da lei mosaica, o quarto mandamento é o mais importante, imagine aonde ele tem que ir e os artifícios que usa para chegar a essa interpretação.

Uma das coisas que mais me assusta no cristianismo institucionalizado é seu poder de produzir discussões intermináveis sobre assuntos não fundamentais da Bíblia, por isso publico esse artigo, após me deparar com essa pergunta de uma amiga.

Mesmo em detrimento do pastor sabatista e sua teologia tendenciosa, se fosse para eu escolher um dia, seria sábado, apenas “se” fosse, pois, se os defensores do sábado ou domingo como dia do Senhor usam a mesma Bíblia para defenderem suas teses, ficaria com o sábado; os “domingueiros” usam a ressurreição de Jesus, algumas passagens de Atos, uma de Apocalipse, e a tradição cristã nos primeiros séculos. Os sabatistas usam o AT e o quarto mandamento, na minha opinião teria mais base como doutrina, pois, não há no NT uma ordem específica para mudar o dia para domingo, apesar da tradição cristã que vemos a partir do livro de Atos.

Particularmente não sou nem sabatista, pois, no Antigo Testamento, reunir o povo de Deus no sábado não era suficiente para dizer que se guardava o dia de descanso, havia inúmeras outras ordens, e nem sou domingueiro, pois, no Novo Testamento não há uma clara indicação que o dia do Senhor mudou e que constitui-se pecado não reunir no dia da ressurreição ou primeiro dia da semana.

Abaixo a transcrição de um texto no blog dos bereianos:

“Lutero insistiu que os trabalhadores devem ter um dia de repouso, quando podem então reunir-se para ouvir a Palavra, orar e louvar a Deus. Mas qual dia seja, não importa, pois todos os dias são iguais (Rm 14.5). Calvino, do mesmo modo, insiste que Cristo é o cumprimento do sábado, o que resultou na abolição desse dia: “Distante deve estar, portanto, dos cristãos a supersticiosa observância de dias” (Institutas II, VIII, 31).”

Veja o que uma amiga, Rilda Santos, disse:

“Talvez a pergunta mais correta seria: Nos reunimos no dia de descanso do Senhor ou no dia da Sua ressurreição? Bem, essa seria uma pergunta. Outra poderia ser: Deus quer que fiquemos presos a um dia específico ou o sábado serviu apenas de modelo? Assim sendo, todos os dias não deveriam ser santificados a Ele?”

Enfim, não pretendo que alguém se convença da minha opinião numa questão tão antiga, escrevendo apenas algumas linhas, e mesmo que houvesse uma bibliografia que corroborasse o que estou dizendo, não teria a pretensão de encerrar o assunto. Mas, se haverá alguma pergunta que o Senhor fará no último dia (não creio que haverão perguntas), não seria para os domingueiros “porque vocês se reuniram no dia errado?” ou o contrário para os sabatistas. Mas outras perguntas seriam feitas, como “porque vocês causaram divisão quanto ao dia de adoração a mim que Sou ATEMPORAL?” ou “porque vocês se reuniram tanto em tantos dias da semana a vida inteira, mas não pregaram o evangelho?”.

© Lucianno Di Mendonça
www.plurais.net

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